A discussão sobre soberania de dados ganhou força à medida que sistemas de segurança física migraram para a nuvem e passaram a lidar com informações cada vez mais sensíveis, como imagens de câmeras, registros de acesso e dados de sensores.
Hoje, não basta proteger esses dados: é preciso garantir onde eles ficam, quem pode acessá-los e sob quais leis estão submetidos. Quando informações atravessam fronteiras, entram em jogo regulamentações diferentes, riscos de acesso por autoridades estrangeiras e até impactos geopolíticos, especialmente em setores críticos. Para as organizações, isso pode significar desde dificuldades operacionais até penalidades por descumprimento de normas como LGPD, GDPR ou legislações locais e setoriais de privacidade.
Com isso em mente, notei em minha jornada na indústria que a escolha de fornecedores e tecnologias passa a ter um peso estratégico ainda maior. Plataformas que já trazem princípios de privacidade integrados facilitam a conformidade desde a concepção do projeto.
Alguns exemplos de como funcionalidades técnicas podem contribuir para a conformidade:
- Trilhas de auditoria reforçam a responsabilização, permitindo demonstrar quem acessou determinado dado e quando;
- Campos personalizáveis permitem que o sistema opere apenas com os dados mínimos, cabendo ao cliente adicionar campos conforme sua realidade;
- Mascaramento dinâmico de vídeo aplica pseudonimização, ocultando informações sensíveis para usuários sem privilégio;
- Políticas automatizadas de retenção garantem adequação ao eliminar gravações além do período necessário;
- Controles de acesso baseados em função (RBAC) e criptografia fortalecem a segurança;
- Dashboards de visibilidade promovem transparência para gestores e titulares.
Outro ponto essencial que aprendi é a flexibilidade: adotar soluções que permitam operar localmente, na nuvem ou em modelos híbridos evita a dependência de uma única abordagem e facilita a adaptação a mudanças regulatórias, inclusive exigências sobre onde os dados devem residir.
Na prática, organizações de vários setores já estão revendo suas estratégias. Segurança pública, governo, energia, transporte e educação têm priorizado modelos que garantam que dados operacionais permaneçam dentro das fronteiras nacionais. Um exemplo é a Universidade de British Columbia, no Canadá, que ao avaliar as soluções Genetec de leitura de placas em nuvem, de atenção especial ao local de armazenamento das informações, requisito considerado essencial para manter a confiança da comunidade e atender às exigências legais.
Com mais de 130 países adotando leis específicas de proteção de dados, a soberania deixou de ser um tema restrito à TI e passou a envolver times de segurança física, diretores executivos e reguladores. Garantir que vídeos, registros de acesso e demais informações críticas estejam protegidas e dentro de ambientes controlados se tornou parte fundamental da resiliência das operações.
À medida que a transformação digital avança e a conectividade aumenta, manter controle sobre onde e como esses dados circulam será cada vez mais determinante para a segurança e a credibilidade das organizações. A experiência me ensinou isso na prática, mas o tema merece atenção de qualquer executivo ou tomador de decisão.
*Por Ueric Melo, Gerente de Serviços Profissionais, LATAM na Genetec.





