A Cisco divulgou os resultados do Data and Privacy Benchmark Study 2026, estudo que aponta uma mudança estrutural na forma como as organizações lidam com privacidade de dados e governança diante da rápida adoção da inteligência artificial. Segundo a companhia, a necessidade de escalar a IA de maneira responsável tem levado empresas a ampliar investimentos em privacidade, segurança e gestão de dados, no Brasil e no mundo.
A pesquisa ouviu 5.200 profissionais de tecnologia e segurança digital com atuação em privacidade de dados em 12 países, incluindo o Brasil. Os dados indicam que quase todas as organizações estão expandindo seus programas de privacidade para sustentar iniciativas de IA, atender expectativas regulatórias e preservar a confiança de clientes.
IA acelera investimentos em privacidade
O estudo revela que a inteligência artificial se tornou o principal motor por trás do crescimento dos programas de privacidade. No Brasil, 95% das organizações afirmam ter ampliado essas iniciativas, acima da média global de 90%. Além disso, 91% das empresas brasileiras planejam investir ainda mais em privacidade, percentual próximo ao registrado globalmente, de 93%.
Os investimentos também ganharam escala. Globalmente, 38% das organizações relataram ter gasto ao menos US$ 5 milhões em programas de privacidade ao longo de 2025, um salto em relação aos 14% registrados em 2024. No Brasil, 31% das empresas atingiram esse nível de investimento no mesmo período.
Privacidade, confiança e governança em transformação
Na média global, 96% das organizações afirmam que estruturas robustas de privacidade viabilizam agilidade e inovação em iniciativas de IA, enquanto 95% reconhecem que a privacidade é essencial para construir a confiança dos clientes em serviços baseados em inteligência artificial. No Brasil, esses percentuais chegam a 98% e 97%, respectivamente.
O estudo aponta que a governança de dados deixa de ser vista apenas como uma exigência regulatória e passa a ocupar um papel estratégico. Globalmente, 99% das organizações relatam ao menos um benefício tangível oriundo de suas iniciativas de privacidade, como maior agilidade, inovação e fidelização de clientes. No Brasil, 57% indicam que a comunicação clara sobre como os dados são coletados e utilizados é a forma mais eficaz de gerar confiança, acima da média global de 46%.
Apesar dos avanços, a governança de IA ainda está em evolução. Embora três em cada quatro organizações no mundo afirmem contar com um órgão dedicado à governança de IA, apenas 12% consideram essas estruturas maduras. No Brasil, esse percentual é de 20%. Além disso, a complexidade dos dados utilizados por sistemas de IA traz novos obstáculos, com 65% das organizações globalmente e 73% no Brasil relatando dificuldades para acessar dados relevantes e de alta qualidade de forma eficiente.
“A IA está forçando uma mudança fundamental no panorama de dados, exigindo uma governança holística de todos os dados – pessoais e não pessoais”, afirma Jen Yokoyama, vice-presidente sênior de Inovação Jurídica e Estratégia da Cisco. “As organizações precisam compreender profundamente e estruturar seus dados para garantir que toda decisão automatizada seja explicável. Não se trata apenas de compliance, mas de um motor essencial de escala para a inovação em IA.”, finaliza Yokoyama.
Pressão sobre fluxos globais de dados
O avanço da IA também intensificou os desafios relacionados aos fluxos internacionais de dados. Embora 72% dos entrevistados tenham uma visão positiva sobre as leis de privacidade, cresce a pressão por simplificação e atualização dessas normas.
Segundo o estudo, 81% das organizações no mundo e 88% no Brasil enfrentam uma demanda crescente por localização de dados, acompanhada de maior complexidade operacional. Tanto no Brasil quanto globalmente, 85% afirmam que a localização de dados aumenta custos, complexidade e riscos na prestação de serviços transfronteiriços. Além disso, 77% relatam que essas exigências limitam a capacidade de oferecer serviços integrados e contínuos entre mercados.
A pesquisa também mostra que empresas globais tendem a preferir parceiros de tecnologia com atuação internacional. Para 82% dos entrevistados, provedores em escala global são mais eficazes na gestão de fluxos de dados entre países. Ao mesmo tempo, a percepção de que dados armazenados localmente são mais seguros vem diminuindo, passando de 90% em 2025 para 86% em 2026.
“Para aproveitar todo o potencial da IA, as organizações (83%) defendem uma mudança em direção a padrões internacionais harmonizados”, diz Harvey Jang, vice-presidente e diretor de privacidade (CPO) da Cisco. “Elas reconhecem que a consistência global é uma necessidade econômica para garantir que os dados possam fluir de forma segura, mantendo elevados padrões de proteção, essenciais para a confiança.”
Confiança como base para a inovação em IA
De acordo com o estudo, para avançar de um modelo reativo de compliance para uma abordagem proativa, as organizações precisam investir em infraestrutura de dados robusta, priorizar transparência e incorporar segurança e privacidade em todas as iniciativas de IA. Decisões estratégicas sobre localização de dados, governança de IA e capacitação das equipes são apontadas como fatores centrais para fortalecer a confiança e impulsionar a inovação responsável na economia digital orientada por inteligência artificial.





