A Check Point Research, divisão de Inteligência de Ameaças da Check Point Software, divulgou o Relatório de Estatísticas Globais de Inteligência de Ameaças referente a janeiro de 2026. O estudo revela que organizações em todo o mundo sofreram, em média, 2.090 ataques cibernéticos por semana, alta de 3% em relação a dezembro e crescimento anual de 17%.
No Brasil, o avanço foi mais expressivo. As empresas registraram média de 3.685 ataques semanais por organização, um aumento de 55% na comparação com o mesmo período do ano anterior, o maior percentual de crescimento na América Latina.
De acordo com os pesquisadores, a escalada da pressão cibernética global está associada à intensificação das campanhas de ransomware e à ampliação da exposição de dados impulsionada pelo uso crescente de inteligência artificial generativa.
“Os dados relativos a janeiro mostram que os ciberataques não apenas estão aumentando, mas também se tornando mais refinados e oportunistas”, diz Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. “Os operadores de ransomware têm acelerado suas campanhas, enquanto o uso não controlado de IA generativa está abrindo novos pontos cegos às organizações. A prevenção em primeiro lugar, com proteção em tempo real impulsionada por IA, é a única forma eficaz de interromper ataques antes que causem danos operacionais ou financeiros.”
IA generativa amplia risco de exposição de dados
A adoção acelerada de ferramentas de inteligência artificial generativa nas empresas tem criado novos vetores de risco. Em janeiro, um em cada 30 prompts enviados a partir de redes corporativas apresentou risco significativo de exposição de dados sensíveis, impactando 93% das organizações que utilizam essas tecnologias.
Uma parcela adicional continha informações potencialmente sensíveis, como documentos internos, dados de identificação pessoal, informações de clientes e código-fonte proprietário. Em média, as organizações utilizaram dez ferramentas diferentes de IA generativa por mês, muitas fora de estruturas formais de governança, o que aumenta a probabilidade de vazamento de dados e ataques cibernéticos impulsionados por IA.
Educação, governo e telecom entre os mais atacados
Globalmente, o setor de Educação permaneceu como o mais atacado, com média de 4.364 ataques semanais por organização, alta de 12% ano a ano. Órgãos governamentais registraram 2.759 ataques semanais, crescimento de 8%, enquanto o setor de telecomunicações alcançou 2.647 ataques por semana, também com alta de 8%, refletindo o direcionamento a infraestruturas de conectividade e ecossistemas habilitados por 5G.
Regionalmente, a América Latina apresentou média de 3.110 ataques semanais por organização, crescimento de 33%. A região da Ásia-Pacífico registrou 3.087 ataques, alta de 7%, a África contabilizou 2.864, queda de 6%, enquanto Europa e América do Norte cresceram 18% e 19%, respectivamente.
Ransomware mantém pressão global
O ransomware permaneceu entre as ameaças mais destrutivas, com 678 incidentes reportados publicamente em janeiro, aumento de 10% na comparação anual. A América do Norte concentrou 52% dos casos conhecidos, seguida pela Europa com 24%.
Entre os países mais impactados estão Estados Unidos, com 48% das vítimas globais, Reino Unido com 5%, Canadá e Alemanha com 4% cada, além de Itália e Espanha com 3% cada.
Os setores mais afetados foram Serviços Empresariais, com 33% dos casos, Bens e Serviços de Consumo, com 15%, e Manufatura Industrial, com 11%. Os grupos de ransomware mais ativos no período foram Qilin, responsável por 15% das divulgações, LockBit com 12% e Akira com 9%.





