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Da transformação à metaruption: O novo ciclo estratégico das empresas

Inon Neves, vice-presidente da Access, analisa a metaruption e o novo papel estratégico da tecnologia nos negócios.

IT Section Por IT Section
25/02/2026 - 16:30
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Foto: Divulgação

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A tecnologia deixou de ser coadjuvante: estamos em um ciclo em que esta assume o papel de protagonista silenciosa, reescrevendo as regras de setores inteiros, e transformando modelos de negócio de forma estrutural. Não se trata mais de usar ferramentas digitais para ganhar eficiência aqui e ali; trata-se de redesenhar estratégias e mercados, um fenômeno tão abrangente que já ganha nome próprio: metaruption. A disrupção deixa de ser um evento isolado e se converte no estado permanente dos negócios, ditando os rumos de empresas e indústrias inteiras.

Metaruption é uma expressão cunhada por Roger Spitz, presidente do Disruptive Futures Institute, para definir “uma família multidimensional de disrupções sistêmicas, autoalimentadas e contínuas, que reescrevem a própria natureza da mudança”. Ou seja, não estamos mais lidando com ondas isoladas de inovação, mas com um ciclo autossustentado e em aceleração de transformações sobrepostas que alteram radicalmente as bases da estratégia empresarial.

O conceito, mais do que um neologismo, dá nome a um movimento que muitas empresas já vivem na prática — mesmo sem saber. Setores inteiros estão sendo remodelados não por uma única inovação, mas pela sobreposição de múltiplas tecnologias, que operam em sinergia e desafiam qualquer tentativa de previsibilidade.

No Brasil, essa realidade ganha contornos próprios – um país historicamente resiliente e criativo, agora em meio a uma transformação digital acelerada que desafia empresas de todos os portes a repensar sua forma de operar.

Do suporte à estratégia: o que mudou no papel da tecnologia

Por décadas, tecnologia nas empresas foi sinônimo de infraestrutura e eficiência operacional. Implementavam-se sistemas de ERP para integrar processos, automatizavam-se tarefas pontuais e investia-se em TI visando cortar custos ou resolver problemas específicos. Isso mudou drasticamente.

A digitalização acelerada, a ubiquidade dos dados e o avanço de ferramentas como inteligência artificial (IA) redefiniram as bases da gestão. Decisões que antes se apoiavam apenas em experiência e intuição agora são guiadas por analytics preditivo em tempo real. Processos antes manuais são repensados com automação inteligente, e modelos de negócio inteiros emergem a partir de plataformas tecnológicas. Tecnologia deixou de ser apenas operacional e passou a influenciar diretamente modelos de negócio, estruturas de custo, capacidade de escalar operações, gestão de riscos e a qualidade das decisões estratégicas tomadas.

Essa transformação não aconteceu da noite para o dia. Nos últimos anos, vimos uma queda brusca no custo de armazenamento e processamento de dados em nuvem, a popularização de softwares como serviço e o amadurecimento de soluções de IA e aprendizado de máquina. Esses fatores permitiram que empresas tradicionais adotassem tecnologias de ponta sem precisar de investimentos proibitivos.

O resultado é um ambiente de negócios mais complexo, porém fértil para quem souber navegar: decisões mais rápidas e fundamentadas em dados, produtos digitais reinventando setores clássicos e uma pressão inédita por inovação contínua. Setores tradicionais como indústria, agronegócio, logística e varejo – pilares da economia brasileira – sentem na pele essa mudança. As margens comprimidas e a alta competitividade nesses segmentos forçam uma busca incessante por eficiência e diferenciação, e é justamente aí que a tecnologia emerge como diferencial: quem vai além do “feijão com arroz” tecnológico prospera, enquanto os que ignoram essa onda ficam para trás.

Da teoria à prática na era da metaruption

Se nos anos anteriores muito se falou conceitualmente sobre transformação digital, este ano carrega consigo a perspectiva de ser um ponto de inflexão em que essa conversa se torna concreta e decisiva. Veremos menos discursos genéricos sobre “ser digital” e mais cobrança por eficiência, governança, previsibilidade e retorno sobre o investimento de cada iniciativa tecnológica. Os chamados elefantes brancos – projetos grandiosos de TI sem conexão direta com a estratégia ou o caixa – tendem a perder espaço rapidamente. Em vez disso, ganharão holofote aquelas iniciativas que claramente conectam tecnologia a vantagem competitiva, seja aumentando margem, acelerando entregas ou elevando a satisfação do cliente.

Conselhos e diretorias querem à frente da TI executivos que entendam profundamente do core business, que saibam priorizar investimentos com visão de longo prazo e que assumam responsabilidade por resultados tangíveis, não apenas pela estabilidade da infraestrutura. As fronteiras entre áreas vão ficando mais difusas – termos como bizdev, data science, UX e DevOps já fazem parte do vocabulário comum dos altos executivos, indicando como estratégia, negócio e tecnologia se entrelaçam num único tecido organizacional.

A essa altura, fica evidente que metaruption não é apenas um jargão da moda, mas um chamado à ação. Trata-se do reconhecimento de que vivemos em um ambiente de mudança contínua e multifacetada, onde a tecnologia é o fio condutor. A tecnologia não é mais suporte – é estratégia. Vencer na era da metaruption significa abraçar a mudança contínua, aprender rápido e alinhar, como nunca, estratégia e tecnologia em prol de um futuro de sucesso.

*Por Inon Neves, vice-presidente da Access.

Tags: AccessmetaruptionTransformação Digital
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