A conta da inteligência artificial chegou e o valor está mais alto do que o previsto. Para muitas empresas, o problema não está no software, mas no hardware de rede que não suporta a carga. As organizações investem em modelos de linguagem, mas tentam rodar essas operações em infraestruturas desenhadas para o tráfego de uma década atrás. O resultado é um investimento bilionário com performance abaixo do esperado.
O entrave é físico. Redes convencionais foram projetadas para levar dados do servidor ao usuário final. A IA exige uma troca massiva de informações entre chips dentro do próprio ambiente de processamento.
Este cenário é reportado no Cisco AI Readiness Index. O relatório revela que 95% dos executivos possuem uma estratégia de IA definida ou em desenvolvimento, mas apenas 7% das organizações mundialmente têm uma rede preparada para suportar essas cargas de trabalho. A pesquisa mostra que a infraestrutura é, hoje, a maior barreira para a adoção da tecnologia.
O risco da rede como commodity
Quando a movimentação interna de dados encontra uma infraestrutura limitada, o processamento fica ocioso e o consumo de energia sobe sem gerar resultado. O retorno sobre o capital investido (ROIC) cai. É uma falha de planejamento que consome recursos estratégicos.
Muitos diretores de tecnologia ainda tratam a rede como uma commodity. Ignoram que o silício de última geração e a conectividade de alta densidade viabilizam o fluxo de trabalho. Segundo o estudo da Cisco, 82% dos líderes admitem que suas redes não são escaláveis o suficiente para atender às demandas atuais. Sem uma malha que vá do núcleo do data center até a borda, a TI gasta tempo remediando latências em vez de escalar novos serviços.
Atualização de ativos e previsibilidade de custos
As empresas precisam atualizar os ativos com foco em arquiteturas que priorizem baixa latência de forma nativa. O investimento deve focar em switches e sistemas de gerenciamento que garantam o fluxo constante de dados para os processadores de alto custo.
Uma infraestrutura preparada para a escala permite aumentar a capacidade de entrega sem que os custos fixos de manutenção cresçam de forma desordenada. É uma decisão que garante a previsibilidade financeira da operação tecnológica. O Index aponta que 68% das empresas ainda não possuem um plano de governança de dados robusto o suficiente para a IA, o que sobrecarrega ainda mais as redes mal dimensionadas.
A eficiência da IA depende da qualidade da base que a sustenta. Ao modernizar o networking, a organização reduz o tempo de resposta das aplicações e ganha fôlego para crescer. A diferença entre liderar o setor ou perder competitividade está na capacidade real da infraestrutura de colocar o algoritmo para trabalhar em plena capacidade.
*Por Ian Ramone, Diretor Comercial da N&DC.





