Diante de um mundo globalizado e incerto, exercer a soberania digital sobre os próprios dados pode ser a chave para uma empresa resistir aos choques internacionais e continuar gerando valor apesar das crises. Embora a computação em nuvem seja a maneira mais segura de armazenar e processar dados, acidentes e guerras recentes nos lembram de que esse método não está imune aos riscos.
Em fevereiro deste ano, uma falha nos servidores de uma das gigantes de tecnologia afetou os serviços de bancos e fintechs no Brasil, com clientes relatando dificuldades para realizar login e transferências via pix. Um mês depois, em março, bombardeios iranianos atingiram data centers importantes no Oriente Médio, mas os danos não foram suficientes para impedir a operação das estruturas.
Estes são alguns dos eventos que vêm incentivando o debate sobre a soberania digital, um conceito que busca encontrar o melhor equilíbrio entre a digitalização, globalização e autonomia das empresas.
Soberania digital aplicada à prática
Desenvolvido com o objetivo de maximizar a produtividade das empresas e garantir a segurança dos dados, o conceito de soberania digital foi estabelecido sobre os pilares da conformidade (adequação às leis e normas), do controle (capacidade de gerenciar e proteger dados de forma autônoma) e da continuidade (independência em decisões tecnológicas para manter a operação funcionado em caso de falhas).
Diante disto, especialistas que advogam pela soberania digital no mercado defendem, na prática, uma série de decisões sobre a alocação de dados, relações com fornecedores e utilização de inteligências artificiais que permitam às empresas construírem estratégias independentes de fabricantes ou governos.
Apesar da aplicação desse conceito depender das especificidades de cada empresa, a tendência é de que cada vez mais organizações terão que descobrir como adotá-lo. De acordo com uma previsão da Gartner, ao menos 50% das multinacionais devem alinhar o conceito de soberania digital à sua estratégia de nuvem até 2029.
Maior que o custo de ter, é o custo de não ter
Para a Gartner, a previsão de que empresas multinacionais devam investir mais em soberania digital está diretamente ligada às tensões geopolíticas, regulações mais complexas sobre dados e avanços da inteligência artificial. Em outras palavras, os riscos de ataques, problemas com leis locais e vazamentos de dados devem crescer ainda mais.
Ao retomarmos os exemplos recentes, como o da falha que atrapalhou o funcionamento do pix em fevereiro, é notável como a interrupção dos serviços gera reclamações instantâneas nos usuários, especialmente tratando-se de setores essenciais como o financeiro. Neste caso, ter o funcionamento do serviço interrompido ou dados dos clientes vazados pode significar não só prejuízo financeiro, mas também reputacional.
Portanto, a soberania digital precisa ser debatida com urgência à medida que as crises não pedem permissão para bater na porta das empresas, mas cabe aos seus gestores fazer o investimento para permitir que as organizações continuem se desenvolvendo apesar delas.
*Por Cleyton Leal, Líder de Serviços de Aplicativos da SoftwareOne.





