O salto geracional do Wi-Fi 5 direto para o Wi-Fi 7 (802.11be) deixou de ser uma promessa de futuro para se tornar realidade em ambientes de alta densidade no Brasil. No Itaipu Parquetec, um dos principais ecossistemas de inovação do país, essa evolução ganhou contornos de missão crítica: substituir 275 access points antigos e configurar novas controladoras Cisco em uma janela de apenas cinco dias antes da realização de um grande festival.
Para entender como a infraestrutura superou um histórico de interrupções semanais e se preparou para a frequência de 6 GHz, o IT Section conversou com Luciano Faria, sócio-diretor da N&DC. Com mais de uma década de bagagem no atendimento ao parque, a integradora detalha o planejamento de radiofrequência, a engenharia de campo e os próximos passos do projeto, que preveem segurança automatizada com Cisco ISE e monitoramento preditivo via Catalyst Center.
Confira!
IT Section: Como a N&DC organizou a logística para trocar 275 access points e configurar as controladoras em apenas 5 dias antes do festival?
Luciano Faria: Esse foi um projeto que exigiu muito planejamento e uma execução extremamente coordenada. Embora a janela de implantação tenha sido de apenas cinco dias, nós já vínhamos trabalhando ao lado do Itaipu Parquetec desde 2023, realizando testes e estudando a melhor arquitetura para a evolução da rede.
Quando os equipamentos chegaram, nossa equipe já tinha todo o plano de implementação definido. Organizamos uma verdadeira força-tarefa entre engenharia, logística e operação para configurar as controladoras, substituir os access points e validar cada etapa da rede. O conhecimento prévio do ambiente foi essencial para executar tudo dentro do prazo e garantir que o festival acontecesse sem impactos para os usuários.
IT Section: O Itaipu Parquetec operava majoritariamente em Wi-Fi 5 e deu um salto direto para o Wi-Fi 7 (802.11be). O que mudou no planejamento técnico de vocês por conta desse salto geracional?
Luciano Faria: Não foi apenas uma atualização de equipamentos. Foi uma mudança completa de arquitetura.
Migrar de um ambiente predominantemente Wi-Fi 5 para Wi-Fi 7 exigiu repensar cobertura, capacidade, desempenho e planejamento de radiofrequência. Tivemos que preparar a infraestrutura para explorar recursos que não existiam na geração anterior, como a operação na faixa de 6 GHz e as novas capacidades do padrão 802.11be.
O foco deixou de ser apenas ampliar velocidade. O objetivo passou a ser construir uma rede preparada para suportar aplicações cada vez mais exigentes e um grande volume de dispositivos conectados ao mesmo tempo, mantendo estabilidade e baixa latência.
IT Section: A nova infraestrutura explora a frequência de 6 GHz, que, segundo a equipe de TI do parque, muda completamente o cenário de radiofrequência (RF) e gerenciamento de interferências. Quais foram as principais barreiras técnicas que a equipe de engenharia da N&DC encontrou ao lidar com o 6 GHz em um ambiente de alta densidade como Itaipu Parquetec e como elas foram superadas?
Luciano Faria: A principal mudança foi justamente o comportamento da radiofrequência.
O ambiente de 6 GHz possui características diferentes das faixas tradicionais e exige um planejamento muito mais preciso de cobertura, potência e canais para aproveitar todo o potencial da tecnologia sem gerar interferências.
Durante a implantação, nossa equipe realizou ajustes finos de configuração diretamente em campo, acompanhando o comportamento da rede em tempo real. Esse trabalho conjunto entre os especialistas da N&DC e a equipe técnica do Itaipu Parquetec permitiu otimizar o ambiente e entregar o melhor desempenho possível para um cenário de alta densidade de usuários.
IT Section: A N&DC atende o Itaipu Parquetec há mais de uma década. Essa bagagem histórica foi o fator decisivo para o sucesso de um projeto sob tanta pressão?
Luciano Faria: Sem dúvida foi um diferencial importante.
Conhecer o ambiente, a operação e as necessidades do cliente reduzem muito o tempo de tomada de decisão em um projeto crítico como esse. Já acompanhávamos a evolução da infraestrutura do parque e participávamos das discussões sobre sua modernização há alguns anos. Essa proximidade permitiu que, quando surgiu a necessidade urgente da troca, nossa equipe já tivesse um plano técnico estruturado e pudesse concentrar esforços na execução, sem perder tempo com descobertas ou levantamentos adicionais.
IT Section: O parque sofria com um histórico de ao menos três interrupções semanais na rede devido à obsolescência das controladoras antigas. Que recursos específicos da nova arquitetura Cisco Wi-Fi 7 implementada foram os maiores responsáveis por zerar essas falhas?
Luciano Faria: O primeiro ponto foi eliminar a causa do problema: a infraestrutura anterior já havia chegado ao limite da sua capacidade e apresentava falhas recorrentes de hardware e software.
Com a nova arquitetura Cisco Wi-Fi 7, passamos a contar com uma plataforma muito mais moderna, preparada para ambientes de alta densidade, com maior capacidade de processamento, gerenciamento centralizado e recursos avançados de conectividade.
Além disso, tecnologias nativas do Wi-Fi 7, como o uso da faixa de 6 GHz e novos mecanismos de gerenciamento do tráfego, aumentaram significativamente a estabilidade da rede. O resultado foi imediato: eliminamos as interrupções recorrentes e entregamos uma infraestrutura muito mais confiável para o parque.
IT Section: A próxima etapa envolve o Cisco ISE e VLANs dinâmicas. O que muda para o usuário do Itaipu Parquetec com essa implementação e qual é o papel da N&DC no desenho dessa nova camada de segurança?
Luciano Faria: Para o usuário, a experiência será praticamente transparente, mas muito mais segura.
Com o Cisco ISE, cada usuário ou dispositivo poderá ser identificado automaticamente e receber o nível de acesso adequado ao seu perfil, sem depender de configurações manuais. Isso simplifica a gestão da rede, aumenta a segurança e reduz riscos operacionais.
O papel da N&DC é desenhar essa arquitetura, definir as políticas de acesso, integrar as soluções Cisco e garantir que toda essa automação aconteça de forma segura e alinhada às necessidades do Itaipu Parquetec.
IT Section: Com a futura chegada do Cisco Catalyst Center para monitoramento preditivo, a rede do parque passa a ser 100% proativa? Qual o papel da N&DC nessa evolução?
Luciano Faria: O Catalyst Center representa um passo importante na evolução operacional da rede.
Ele amplia muito a capacidade de monitoramento, análise e automação, permitindo identificar tendências, antecipar possíveis problemas e reduzir o tempo de resposta antes que qualquer impacto chegue ao usuário.
Nenhuma infraestrutura é totalmente imune a incidentes, mas o monitoramento preditivo muda completamente a forma de operar. Em vez de atuar apenas quando um problema acontece, a equipe passa a agir preventivamente.
Nesse cenário, a N&DC atua como parceira estratégica, apoiando o Itaipu Parquetec na implantação da plataforma, na definição das melhores práticas de operação e na evolução contínua da infraestrutura para que a rede acompanhe o crescimento do ecossistema de inovação com segurança e alta disponibilidade.





