A Infoblox divulgou uma pesquisa que revela uma operação criminosa de grande escala voltada à criação e comercialização de proxies residenciais ilegais. A investigação da equipe Infoblox Threat Intel identificou que uma campanha de distribuição de um falso instalador do 7-Zip era apenas uma das estratégias utilizadas pelo grupo monitorado como Lurking Lizard, responsável por uma infraestrutura composta por mais de 230 domínios destinados à infecção de dispositivos, operação de serviços de proxy e fraude envolvendo marcas conhecidas.
Segundo a empresa, a descoberta amplia a compreensão sobre o funcionamento desse mercado clandestino, que utiliza dispositivos comprometidos para fornecer largura de banda e acesso à internet sem o conhecimento dos usuários.
Operação combina malware, domínios falsos e manipulação de buscas
De acordo com a pesquisa, o Lurking Lizard aparenta ser um agente baseado na China que atua em parceria com outros provedores para revender a largura de banda obtida por meio de dispositivos infectados.
A investigação aponta que o grupo controla diferentes etapas da operação criminosa. Para ampliar sua rede de proxies, distribui malware por meio de domínios que imitam grandes marcas de software e aumenta o alcance dessas campanhas utilizando manipulação de resultados de mecanismos de busca e anúncios online.
Uma das campanhas analisadas simulava o site oficial do 7-Zip para induzir usuários ao download de um instalador fraudulento. No entanto, a Infoblox identificou que essa ação representava apenas uma parte da infraestrutura utilizada pelo grupo. Os pesquisadores também localizaram domínios falsos que imitavam provedores comerciais de proxies, permitindo dimensionar a extensão da operação.
Infraestrutura permanece ativa apesar de ações do setor
O estudo também identificou sobreposição entre a infraestrutura do Lurking Lizard e a IPIDEA, provedora de proxies que foi alvo de uma operação coordenada entre empresas da indústria e autoridades policiais no início deste ano.
Segundo a Infoblox, embora diversas operações tenham resultado na interrupção de serviços desse mercado ao longo dos últimos meses, a permanência de botnets controladas por grupos criminosos demonstra que ainda há desafios para desarticular esse ecossistema.
Riscos vão além das equipes de segurança
Para a empresa, o uso de softwares falsificados, marcas reconhecidas e plataformas de avaliação amplia o alcance das campanhas e aumenta os impactos para organizações que atuam no ambiente digital.
“O ponto central aqui não é apenas um instalador falso, mas o modelo de negócio por trás dele”, afirma a Dra. Renée Burton, vice-presidente de Infoblox Threat Intel. “Quando serviços criminosos conseguem escalar ao se apoiar na confiança associada a softwares populares, lojas de aplicativos e sites de avaliação, o risco deixa de ser apenas uma preocupação das equipes de segurança. Ele passa a envolver operações, fraude e reputação de marca para qualquer empresa presente no ambiente online.”





