A Núclea, empresa de infraestrutura financeira, reduziu de duas horas para entre 15 e 20 minutos o tempo necessário para atualizar sistemas críticos após ampliar o uso de automação e soluções open source da Red Hat. A mudança também resultou em uma economia anual estimada entre R$ 500 mil e R$ 600 mil em custos de nuvem.
A iniciativa começou em 2024, em um momento de expansão do ambiente tecnológico da companhia. Com 970 colaboradores, a Núclea registrou mais que o dobro de sistemas em operação e passou a lidar com uma demanda maior por atualizações relacionadas a requisitos de segurança e certificações, incluindo NIST e as normas ISO 9001, 22301 e 27001.
Automação substitui processos manuais
Antes da mudança, atualizações de servidores, bancos de dados e middleware eram realizadas manualmente. Cada procedimento dependia de especialistas e de etapas específicas de execução, o que poderia gerar diferenças entre as operações realizadas por profissionais distintos.
Para automatizar parte desses processos, a Núclea adotou o Red Hat Ansible Automation Platform, com suporte do Red Hat Satellite Server, do Red Hat Enterprise Linux e de uma arquitetura GitOps.
A estratégia passou a utilizar playbooks padronizados e reutilizáveis, permitindo que procedimentos fossem testados e posteriormente replicados em diferentes ambientes, incluindo infraestrutura local, nuvem e arquiteturas híbridas.
“O Ansible nos deu o que mais precisávamos: previsibilidade. Por meio do código aberto, passamos a executar tarefas complexas com a certeza de que o resultado seria o mesmo, independentemente de quem estivesse operando. Isso mudou completamente nossa relação com a infraestrutura”, resumiu Eude Ferreira, Gerente de Infraestrutura da Núclea.
Atualizações caem de duas horas para 20 minutos
Com a automação, atividades que anteriormente podiam consumir até duas horas, considerando execução, validação e conferência, passaram a ser concluídas em aproximadamente 15 a 20 minutos.
A mudança também alterou a relação entre crescimento da infraestrutura e necessidade de expansão da equipe responsável pela operação.
“Antes, se eu tinha 20 sistemas e 30 pessoas, para crescer eu imaginava precisar de 40 sistemas e 60 pessoas. Com a automação, isso deixou de ser necessário”, afirmou Ferreira.
A empresa também integrou o Ansible ao sistema de chamados e às ferramentas utilizadas para orquestração de processos em lote. Com isso, desenvolvedores passaram a ter autonomia para ligar e desligar ambientes de homologação na AWS de acordo com a necessidade.
Segundo a companhia, a medida contribuiu para reduzir o uso de recursos ociosos e gerou, em um ano, uma economia estimada entre R$ 500 mil e R$ 600 mil nos custos de nuvem.
“Quando você automatiza o controle dos ambientes e devolve essa autonomia para os times de desenvolvimento, resolve dois problemas em uma só cartada: corta o custo de nuvem e elimina o gargalo operacional. O desenvolvedor não precisa mais esperar ninguém, e a empresa não paga por recurso que não está sendo usado”, conta Ferreira.
Núclea mira automação de toda a operação
A companhia estabeleceu como meta chegar a 100% das execuções automatizadas em 2026. Entre os processos que ainda estão em evolução está o provisionamento de novos ambientes na AWS, atualmente realizado de forma manual e que pode levar horas.
A expectativa é reduzir esse processo para um intervalo máximo de duas a três horas. A agenda também inclui o refresh automático de ambientes de homologação, a automação de relatórios de vulnerabilidade e estratégias automatizadas de Disaster Recovery.
A empresa também prevê incorporar inteligência artificial à infraestrutura automatizada.
“A automação já é a espinha dorsal da nossa operação. O próximo passo é torná-la ainda mais inteligente e usar tudo o que construímos como base para incorporar inteligência artificial e levar nossa capacidade de resposta a um novo nível. Não estamos mais perguntando se vamos automatizar: estamos perguntando o que automatizar primeiro”, concluiu Ferreira.
Para a Red Hat, o projeto também demonstra uma mudança na forma como o código aberto é utilizado pelas empresas do setor financeiro.
“A jornada da Núclea mostra como o código aberto deixou de ser apenas uma escolha tecnológica para se tornar uma decisão estratégica de negócio. Quando automação, padronização e colaboração caminham juntas, empresas do setor financeiro conseguem crescer com a segurança e a governança que o mercado exige. Esse é o papel da Red Hat no ecossistema brasileiro: viabilizar essa transformação ao lado de nossos clientes, não apenas fornecer a tecnologia por trás dela”, declarou Sandra Vaz, Presidente da Red Hat Brasil.





