A DANRESA, empresa especializada em Cyber Intelligence e NextGen SOC, divulgou seu Sumário Executivo e Relatório Estratégico de Ameaças referente a setembro de 2026. O levantamento identifica três tendências no cenário de cibersegurança: ataques a plataformas de administração de ambientes corporativos, aumento da escala de exploração de vulnerabilidades e maior sofisticação de grupos de cibercrime financeiro no Brasil.
Segundo o relatório, ferramentas utilizadas para administrar firewalls, identidades e infraestruturas de rede passaram a representar um vetor crítico de ataque. Em casos documentados, invasores utilizaram o acesso a essas plataformas não apenas para interferir nos mecanismos de proteção, mas também para mapear os ambientes comprometidos e preparar novas etapas de invasão.
“Em setembro ficou muito claro que o alvo já não está apenas na borda. Ele chegou à sala de controle”, destaca Daniel Porta, CISO da DANRESA. “Quando um painel de administração é comprometido e passa a enxergar o ambiente para o lado do atacante, a ferramenta de defesa vira inteligência ofensiva. Isso obriga as organizações a repudiar a ilusão de que aplicar atualizações de software por si só garante a integridade da rede”, pontua o executivo.
Vulnerabilidades e automação ampliam a escala dos ataques
O relatório também destaca o aumento do volume de vulnerabilidades identificadas e a velocidade com que ferramentas automatizadas exploram falhas em sistemas expostos.
De acordo com os dados do Microsoft Security Response Center (MSRC) analisados pela DANRESA, a Microsoft publicou 974 correções de vulnerabilidades em seu maior ciclo de atualizações até então. O cenário evidencia o desafio enfrentado pelas organizações para acompanhar o ritmo de identificação e exploração de falhas com os processos tradicionais de correção.
O levantamento aponta ainda que ferramentas automatizadas multiplicaram por cem o número de endereços IP atacantes direcionados a falhas em plataformas de sites em apenas cinco dias.
Outro indicador citado é a atuação da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), dos Estados Unidos, que estabeleceu prazos emergenciais de apenas 72 horas para a correção de vulnerabilidades sob exploração ativa em determinados contextos.
Cibercrime financeiro brasileiro ganha sofisticação
No Brasil, um dos principais alertas do relatório envolve grupos de cibercrime financeiro que, segundo o levantamento, passaram a apresentar capacidades comparáveis às de ameaças persistentes avançadas, conhecidas pela sigla APT.
A documentação de um grupo de origem brasileira por um fornecedor global de segurança identificou atividades relacionadas ao furto de criptoativos e à automação de fraudes em pagamentos instantâneos, como o Pix.
Entre as técnicas apontadas estão o uso de backdoors desenvolvidos na linguagem Go, a movimentação por ambientes de nuvem corporativa, a implantação de componentes maliciosos em clusters Kubernetes e a automação de transferências fraudulentas.
Para Daniel Porta, a evolução dessas operações exige mudanças nas estratégias de monitoramento de bancos, fintechs e empresas responsáveis pela custódia de ativos digitais.
“Ver o cibercrime financeiro doméstico incorporar capacidades de intrusão e exploração de ambientes em nuvem e automação em larga escala muda o patamar de exigência para bancos, fintechs e custodiantes. O modelo tradicional de detecção de fraudes já não basta; é preciso tratar o monitoramento de infraestrutura sob a ótica de enfrentamento a uma ameaça persistente avançada”, adverte o CISO.
DANRESA recomenda reforço na proteção de sistemas críticos
Diante das tendências identificadas, a DANRESA recomenda que diretorias e equipes técnicas reavaliem a classificação de risco das plataformas de gerenciamento corporativo. A orientação inclui tratar consoles críticos como ativos de máxima criticidade, aplicar isolamento de rede e exigir autenticação multifator rigorosa.
A empresa também recomenda investigações forenses aprofundadas em ambientes que permaneceram expostos antes da disponibilização ou aplicação das correções oficiais.
As medidas buscam reduzir o risco de comprometimento de ferramentas administrativas e identificar possíveis sinais de invasão, especialmente em infraestruturas que concentram o controle de redes, identidades e serviços corporativos.





