Os sistemas de gestão empresarial, conhecidos como ERP, estão se tornando alvos prioritários de cibercriminosos à medida que as empresas avançam em seus processos de transformação digital e migração para ambientes em nuvem. A concentração de informações estratégicas nesses sistemas, que abrangem áreas como finanças, compras, logística, vendas e recursos humanos, aumenta os riscos associados a possíveis invasões.
Segundo Rodrigo Krüger, Director of Data & AI na NTT DATA, o comprometimento de um ERP pode afetar diretamente a continuidade das operações e a capacidade de faturamento das organizações.
“Um ERP concentra o ‘coração operacional’ de uma organização, de finanças, compras e logística a vendas e recursos humanos”, explica Rodrigo Krüger, Director of Data & AI na NTT DATA. “Por conta disso, seu comprometimento coloca em risco imediato a continuidade dos negócios da empresa afetada, bem como a sua capacidade de faturamento.”
Sistemas ERP concentram riscos financeiros e operacionais
Pesquisas de comunidades especializadas, como relatórios do SAPinsider, apontam que cerca de 92% dos líderes de tecnologia e segurança relatam aumento ou alta preocupação com a incidência de ataques direcionados a ambientes SAP e sistemas centrais de gestão.
Para Krüger, a preocupação está relacionada ao potencial de prejuízo financeiro desses incidentes. Ataques podem alterar informações estratégicas sem necessariamente interromper as atividades da empresa.
“Alterações fraudulentas em dados bancários de fornecedores ou cadastros de pagamento podem gerar perdas financeiras expressivas sem interromper um único segundo da operação.”
Esse cenário reforça a necessidade de ampliar os controles de segurança sobre os sistemas ERP, especialmente em ambientes que concentram dados financeiros e processos essenciais para o funcionamento das organizações.
Migração para novas plataformas exige revisão de controles
A modernização dos sistemas de gestão, incluindo a adoção de plataformas como o SAP S/4HANA, também apresenta desafios de segurança. Segundo o especialista da NTT DATA, a atualização tecnológica não garante, por si só, a proteção contra ameaças cibernéticas.
Embora as plataformas mais recentes ofereçam recursos avançados de monitoramento e gerenciamento de identidades, a segurança depende de decisões relacionadas à arquitetura, à governança de acessos e às configurações dos ambientes.
“O período de transição, marcado pela convivência temporária entre sistemas legados e novas estruturas, costuma ser o momento mais crítico, abrindo brechas por meio de contas com privilégios excessivos, replicação inadequada de dados e conexões temporárias mal desativadas”, explica.
Outro ponto de atenção é o histórico de customizações acumuladas ao longo dos anos nos sistemas ERP. Durante os processos de rollout, essas estruturas precisam ser revisadas para evitar que dependências vulneráveis e mecanismos de controle obsoletos sejam incorporados às novas plataformas.
Agentes de inteligência artificial ampliam desafios de governança
A expansão da inteligência artificial também está modificando o cenário de segurança dos sistemas de gestão empresarial. Enquanto ferramentas de machine learning auxiliam na identificação de anomalias e no monitoramento de usuários privilegiados, os agentes autônomos de IA introduzem novos desafios de controle.
Essas ferramentas podem interpretar informações, consultar bases de dados e executar transações de negócio diretamente nos sistemas corporativos. Com isso, a definição de permissões e limites de atuação passa a ter importância ainda maior.
“Quanto maior a autonomia concedida aos agentes para operarem no ERP, mais estritos precisam ser os limites de permissão, a segregação de funções e as defesas contra instruções maliciosas ocultas em documentos ou dados corporativos”, reforça Krüger.
Na avaliação do especialista, a segurança dos sistemas ERP precisa fazer parte da estrutura dos projetos de transformação digital desde o início, e não ser tratada apenas como uma etapa de validação após a implementação. A governança de acessos, a proteção das informações e os controles sobre ferramentas autônomas são apontados como elementos importantes para a resiliência das operações empresariais.





