Tem coisa que só vira prioridade quando encosta no caixa. A Reforma Tributária é a maior delas. IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre bens e serviços) não chegaram apenas como novos impostos. Eles reescrevem o fluxo operacional de ponta a ponta: base, crédito, evidência, exceção e conciliação.
Para empresas que rodam SAP, a conversa não deve começar pela alíquota, mas sim pela rotina. O desafio real é como fechar o mês sem depender de um exército de planilhas, downloads infinitos e correções feitas no grito.
A apuração como jornada e não como destino
Neste cenário de transição, o mercado precisa entender que a apuração não é o número final. No mundo real, apuração é a trilha percorrida até ele.
O que o mercado busca hoje é uma visão de fluxo completo dentro do ecossistema ERP. Isso vai do documento fiscal ao evento contábil, passando pelas validações de base e tratamento de divergências. A premissa é simples na teoria, mas complexa na execução: o objetivo não é descobrir o problema no fim do mês, mas resolvê-lo no caminho, de forma nativa.
O ponto cego do Split Payment
Ferramentas de cálculo e dashboards de impacto já são nossa realidade. Elas entregam o que o decisor precisa agora: dados comparáveis para tirar o debate do achismo. Mas o buraco é mais embaixo. O grande fantasma da Reforma é a retenção do fluxo de caixa.
Não basta saber quanto será retido pelo Split Payment, que consiste no modelo de recolhimento automático e fracionado de tributos no momento de pagamento. A tecnologia precisa garantir a governança desses créditos, reconciliando o que o governo reteve com o que o SAP registra no contas a receber. Sem essa ponte automática, o risco de perder créditos ou travar a operação financeira é altíssimo. O movimento tecnológico atual não se trata de empilhar funcionalidades, mas de montar um ecossistema fiscal que proteja o caixa da empresa.
Governança contra o heroísmo
A nova apuração do GUEPARDO, software fiscal da NTT DATA integrado ao SAP, que automatiza e concilia a apuração de impostos, surge justamente como o eixo que amarra esses pontos. Fechar o mês com segurança significa garantir que o sistema explique qualquer desvio, de forma rastreável, sem que o analista precise iniciar uma busca manual por erros entre o fiscal e o contábil. É isso que tira o fechamento da zona do heroísmo e o traz para a zona da governança.
Ao avaliar uma solução fiscal, o questionamento central deve ser se a ferramenta sustenta o fluxo inteiro, com conciliação em tempo real, sem depender de processos paralelos ou integrações frágeis fora do SAP.
A Reforma vai virar rotina. Cabe às lideranças decidirem se será uma rotina organizada ou um eterno improviso. Tratar IBS e CBS apenas como mais um relatório é aceitar o risco do retrabalho e da perda de eficiência financeira. Tratá-lo como uma jornada de evidência e rastreabilidade é o único caminho para ganhar previsibilidade e escala. O roadmap da Reforma já é realidade no GUEPARDO e pode ser o divisor de águas entre quem vai apenas cumprir a lei e quem vai manter a operação saudável.
*Por Diogo Brito, Product Director na NTT DATA.




