A BlackDice Cyber e a Mercurius Cybersecurity anunciaram uma parceria estratégica para levar soluções de cibersegurança com inteligência artificial na borda da rede para a América Latina. A implementação inicial ocorrerá no Chile e no Brasil, mercados que concentram forte crescimento digital e aumento expressivo de ataques cibernéticos.
Segundo as empresas, a iniciativa combina a tecnologia de inteligência comportamental da BlackDice com a atuação regional da Mercurius junto a operadoras de telecomunicações e instituições financeiras.
O objetivo é disponibilizar uma solução de segurança nativa para telecomunicações, operando diretamente na infraestrutura das operadoras para detectar ameaças antes que elas atinjam usuários e dispositivos conectados.
América Latina enfrenta aumento de ataques cibernéticos
As companhias destacam que a região vive um cenário de crescimento acelerado das ameaças digitais. Dados do SonicWall 2025 Annual Cyber Threat Report apontam aumento de 259% nos incidentes de ransomware na América Latina.
Já o Intel 471 Region Report: Latin America 2025 indica que o Brasil registrou mais de 70 vítimas confirmadas de ransomware apenas em 2025, maior volume da região.
Segundo as empresas, o crescimento da conectividade, dos serviços financeiros digitais e da adoção de dispositivos IoT elevou a pressão sobre operadoras e instituições financeiras, que precisam lidar com ambientes mais complexos e exigências regulatórias mais rígidas.
De acordo com o relatório IMARC Group Latin America Cyber Security Market Report 2025–2033, o mercado latino-americano de cibersegurança está avaliado em US$ 22 bilhões e pode alcançar US$ 40 bilhões até 2033.
Plataforma atua diretamente na borda da rede
A parceria prevê a utilização da plataforma Halo™, da BlackDice, integrada diretamente à infraestrutura das operadoras de telecomunicações.
Segundo a empresa, a solução utiliza inspeção profunda de pacotes, interceptação DNS e fingerprinting de dispositivos para monitorar continuamente o comportamento de dispositivos conectados, incluindo IoTs não gerenciados.
O motor BlackDice IQ™ correlaciona sinais de rede, dispositivos e aplicações para identificar comportamentos anômalos em tempo real sem gerar impacto perceptível na latência.
As empresas afirmam que a proposta permite transformar segurança em um serviço gerenciado para operadoras, criando novas oportunidades comerciais além da oferta tradicional de conectividade.
Regulamentações impulsionam demanda regional
A parceria também mira o avanço das regulamentações de cibersegurança no Chile e no Brasil.
No Chile, a Lei Marco de Cibersegurança entrou em vigor em janeiro de 2025, enquanto no Brasil regras da ANATEL, da BACEN e a LGPD ampliaram as exigências relacionadas à segurança digital para telecomunicações e instituições financeiras.
Segundo Paul Hague, fundador e CEO da BlackDice Cyber, a região vive uma transformação estrutural no setor de telecomunicações. “A oportunidade na América Latina é enorme e a urgência é real. Operadoras no Chile e no Brasil enfrentam o mesmo desafio estrutural já vivido por operadoras na Europa e Ásia: a transição de provedores de conectividade para provedores de ambientes digitais confiáveis. A Mercurius entende profundamente esse mercado. Juntos, podemos entregar a capacidade de segurança nativa de rede necessária para liderar essa transformação.”
Para Marcos Reis, CEO da Mercurius Cybersecurity, a crescente pressão regulatória exige novas abordagens tecnológicas. “Nossos clientes estão sob pressão real. As exigências regulatórias estão aumentando, o cenário de ameaças se acelera e as ferramentas atuais não foram desenhadas para os ambientes de rede que operadoras e instituições financeiras administram hoje. Junto com a BlackDice, estamos levando inteligência comportamental com IA para a borda da rede exatamente onde ela precisa estar, de uma forma que gera valor comercial para as operadoras, e não apenas conformidade regulatória”, afirma Marcos Reis.
Expansão começa pelo Chile e avança no Brasil
Segundo as empresas, a parceria será implementada inicialmente no Chile, onde a Mercurius já possui relacionamento consolidado com operadoras e instituições financeiras. Na sequência, a expansão será direcionada ao mercado brasileiro, com foco no setor corporativo de telecomunicações e instituições financeiras sujeitas às regulamentações da ANATEL e do BACEN.
As companhias também informaram que atuarão junto a reguladores regionais, incluindo ANCI, SUBTEL, ANATEL e BACEN, como parte da estratégia de expansão na América Latina.





