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Por que as empresas finalmente estão transformando suporte em vantagem competitiva?

Gabriel Carezzato, Co-founder da Tech Rocket, explica como agentes de IA transformam o atendimento em vantagem competitiva.

IT Section Por IT Section
02/07/2026 - 15:55
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Foto: Divulgação

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Durante muito tempo, o atendimento ao cliente foi encarado como uma obrigação operacional, ou seja, resolver problemas, responder dúvidas e registrar chamados eram atividades necessárias, mas raramente vistas como estratégicas para o crescimento do negócio. Essa lógica, no entanto, está mudando rapidamente.

O avanço da Inteligência Artificial Generativa e, mais recentemente, dos agentes de IA, inaugura uma nova fase na relação entre empresas e consumidores. Diferentemente dos chatbots tradicionais, que são limitados a fluxos pré-definidos e respostas programadas, os agentes de IA são capazes de interpretar contexto, acessar diferentes sistemas, tomar decisões dentro de parâmetros estabelecidos e executar tarefas completas sem depender da intervenção humana em cada etapa.

Na prática, isso significa que um único agente pode identificar o histórico de um cliente, consultar pedidos, verificar pagamentos, abrir solicitações técnicas, agendar visitas, emitir segunda via de boletos, acompanhar entregas e até antecipar necessidades futuras. podemos dizer, então, que o atendimento deixa de ser apenas reativo para se tornar proativo.

Essa mudança acontece em um momento de forte pressão sobre as empresas. Os consumidores esperam respostas imediatas, atendimento personalizado e disponibilidade 24 horas por dia. Ao mesmo tempo, as organizações precisam controlar custos sem comprometer a experiência oferecida.

Os números mostram que esse movimento veio para ficar. Segundo o Gartner, até 2029 os agentes de IA serão capazes de resolver autonomamente 80% das demandas mais comuns de atendimento, reduzindo os custos operacionais em cerca de 30%. Mais do que uma evolução tecnológica, trata-se de uma mudança estrutural na forma como as empresas organizam suas operações de relacionamento com clientes.

Mas talvez o dado mais interessante seja outro. Ao contrário da narrativa de que a IA substituirá completamente as equipes de atendimento, o próprio Gartner prevê que, até 2027, metade das empresas que planejavam reduzir significativamente suas equipes abandonará essa estratégia. A razão é simples: existem situações que continuam exigindo julgamento, empatia, negociação e sensibilidade humana. Portanto, o futuro não será “sem pessoas”, mas sim de colaboração entre profissionais e agentes inteligentes.

É justamente nesse modelo híbrido que está a maior oportunidade. Isso acontece porque quando os agentes assumem tarefas repetitivas e operacionais, os profissionais passam a dedicar tempo aos casos mais complexos e às interações de maior valor. Isso reduz filas, melhora indicadores de satisfação e cria espaço para um atendimento mais consultivo.

Vale destacar que, neste cenário, o impacto vai além do suporte. No pós-venda, por exemplo, agentes de IA conseguem monitorar continuamente o comportamento dos clientes, identificar riscos de cancelamento, sugerir ações preventivas, recomendar novos produtos compatíveis com o perfil de consumo e acompanhar jornadas completas de relacionamento. Em vez de esperar que o consumidor manifeste um problema, a empresa passa a agir antes que ele aconteça. Esse talvez seja o maior salto em relação às gerações anteriores de automação.

Além disso, durante muitos anos as empresas investiram em ferramentas capazes de responder perguntas. Agora começam a investir em sistemas capazes de executar ações. Naturalmente, esse avanço também traz desafios importantes. Ainda existe uma corrida do mercado para lançar produtos rotulados como “agentes de IA”, quando muitos deles continuam sendo apenas automações tradicionais com uma camada conversacional. O próprio Gartner alerta para o fenômeno conhecido como agent washing, em que soluções são vendidas como agentes inteligentes sem possuírem autonomia real para executar processos complexos.

Outro ponto crítico é a qualidade dos dados. Um agente inteligente é tão eficiente quanto as informações às quais tem acesso. Empresas que mantêm bases desatualizadas, processos desconectados ou sistemas que não conversam entre si dificilmente conseguirão capturar todo o potencial dessa tecnologia.

Por isso, implementar agentes de IA não significa simplesmente contratar uma nova plataforma. Na verdade, exige revisar processos, integrar sistemas, estabelecer regras de governança e definir claramente quando a inteligência artificial deve agir sozinha e quando precisa transferir a interação para um especialista humano. Essa maturidade será o verdadeiro diferencial competitivo nos próximos anos.

Por isso quero reforçar que as empresas que enxergarem os agentes de IA apenas como uma ferramenta para reduzir custos provavelmente colherão resultados limitados. Já aquelas que utilizarem essa tecnologia para fortalecer relacionamentos, acelerar soluções e transformar o pós-venda em uma experiência contínua de geração de valor estarão construindo um ativo muito mais difícil de copiar.

Por fim, o atendimento ao cliente está deixando de ser o fim da jornada de compra. Com os agentes de IA, ele passa a ser o início de uma relação muito mais inteligente, personalizada e duradoura entre empresas e consumidores.

*Por Gabriel Carezzato, Co-founder da Tech Rocket.

Tags: Agentes de IAAtendimento ao clienteTech Rocket
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