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Zona cinzenta da segurança: o risco da IA através do comportamento humano e da linguagem

Felipe Costa, Engineering Sales Specialist da Adistec Brasil, alerta para riscos da IA generativa e reforça a importância da governança.

IT Section Por IT Section
10/07/2026 - 10:42
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Foto: Divulgação

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A inteligência artificial entrou nas organizações como promessa de eficiência, aceleração e ganho de produtividade, mas aos poucos passou a ocupar também um espaço mais sensível: o de interlocutora de decisões, análises e até de informações que, em outro contexto, jamais circulariam fora de ambientes controlados. É nesse deslocamento silencioso que nasce um dos riscos mais subestimados da atualidade e existe uma diferença sutil, e perigosa, entre usar tecnologia e confiar demais nela.

A superfície de risco deixou de ser exclusivamente técnica e passou a ser comportamental, estrutural e, em muitos casos, invisível. A IA não precisa ser “invadida” no sentido tradicional. Ela pode ser manipulada por dentro, a partir da forma como interage com dados, instruções e contextos.

É nesse cenário que surgem vetores como prompt injection, onde instruções maliciosas são embutidas em entradas aparentemente legítimas para distorcer o comportamento do modelo. Em paralelo, a manipulação de agentes de IA amplia esse risco ao permitir que sistemas autônomos tomem decisões baseadas em contextos corrompidos ou induzidos, sem que o usuário perceba a origem da interferência. Não se trata mais de quebrar barreiras, mas de reprogramar respostas a partir da linguagem.

Ao mesmo tempo, cresce um vetor igualmente sensível: o vazamento de dados via chatbots corporativos. Ferramentas integradas ao ambiente de trabalho, muitas vezes treinadas ou alimentadas com informações internas, passam a concentrar um volume significativo de dados estratégicos. Quando não há governança adequada, esses sistemas deixam de ser apenas assistentes e se tornam potenciais pontos de exposição, especialmente quando integrados a fluxos amplos, com pouca visibilidade sobre retenção, uso ou reprocessamento de informações.

O problema se intensifica quando se observa o comportamento humano dentro desse ecossistema. Funcionários, em busca de agilidade, eficiência ou simplesmente praticidade, acabam alimentando IAs públicas com informações confidenciais sem plena consciência do impacto disso. Estratégias, dados de clientes, contratos e análises internas passam a circular em ambientes fora do perímetro corporativo, criando uma nova forma de vazamento que não depende de ataque externo, mas de uso cotidiano.

Segundo pesquisa do Gartner, de 2025, mais de 40% dos incidentes de segurança envolvendo inteligência artificial até 2027 estarão ligados ao uso inadequado de IA generativa dentro das organizações, especialmente pelo compartilhamento indevido de dados sensíveis em ferramentas não governadas. Em paralelo, a Tenable aponta que 70% das cargas de trabalho de IA em nuvem já apresentam vulnerabilidades não corrigidas, ampliando a superfície de exploração em um ambiente que cresce mais rápido do que sua maturidade de segurança.

Zona cinzenta

O que esses dados revelam não é apenas um problema tecnológico, mas uma lacuna de governança. A ausência de diretrizes claras transforma a IA em uma zona cinzenta, onde produtividade e risco coexistem sem fronteiras definidas. E é justamente nessa zona que os ataques mais sofisticados encontram espaço, não porque quebram sistemas, mas porque exploram sua abertura conceitual.

Diante disso, a resposta não pode ser apenas reativa. Falar de segurança em IA hoje significa falar de governança desde a origem, classificação de dados como princípio estrutural e adoção de modelos de Zero Trust aplicados não apenas à rede, mas também às interações com inteligência artificial. Porque, se cada prompt pode carregar contexto sensível, então cada interação precisa ser tratada como um potencial ponto de exposição.

No fim, a pergunta mais relevante não é se a IA pode ser manipulada. Ela já pode. A questão real é o quanto as organizações estão preparadas para operar em um ambiente onde a linguagem se tornou uma superfície de ataque, e onde proteger dados significa, cada vez mais, proteger também a forma como pensamos ao interagir com máquinas.

*Por Felipe Costa, Engineering Sales Specialist da Adistec Brasil.

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