A EY, em parceria com a Databricks, lançou o DQX, solução de qualidade de dados voltada a instituições financeiras. A plataforma foi desenvolvida para apoiar a rastreabilidade e a auditabilidade das informações, além do atendimento aos requisitos da Resolução Conjunta nº 18, publicada em 2025 pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A norma está em vigor desde janeiro de 2026 e estabelece requisitos para governança e qualidade das informações reportadas pelas instituições financeiras. O prazo de conformidade termina em 31 de dezembro deste ano.
Entre os requisitos estão 12 critérios de qualidade da informação, incluindo precisão, clareza, integridade e rastreabilidade. Em caso de inconsistências, o regulador pode exigir correções e novas submissões dos dados.
A DQX integra áreas de negócios, governança e tecnologia em um único ambiente. A solução permite definir, validar e administrar regras de qualidade ao longo do ciclo de vida dos dados, com participação das áreas de negócio.
Plataforma consolida controles e evidências
Construída sobre a plataforma Databricks, a solução utiliza uma arquitetura híbrida orientada por metadados e combina diferentes mecanismos de execução. A partir de uma configuração única de regras, realiza verificações e consolida os resultados em painéis, indicadores-chave de desempenho (KPIs), alertas e registros de incidentes.
A plataforma também utiliza recursos de governança do Databricks Unity Catalog, com políticas e responsabilidades formalizadas, indicadores por domínio e registros históricos rastreáveis. Essas informações ficam reunidas em um portal com painéis, regras e ferramentas de análise.
Segundo as empresas, a estrutura permite acompanhar a qualidade dos dados e gerar evidências para processos de conformidade regulatória. A solução já foi implementada em uma grande empresa brasileira de serviços financeiros.
“A qualidade dos dados deve se tornar uma competência permanente nas organizações. A solução combina governança e tecnologia para automatizar controles, monitorar continuamente as informações e gerar evidências auditáveis. Como resultado, as empresas podem não apenas se adaptar à nova regulamentação, mas também construir uma base de dados mais confiável para a tomada de decisões”, afirma Telma Luchetta, Sócia Líder de Tecnologia, IA e Dados para o Setor Financeiro da EY Brasil.
“A DQX, utilizando a expertise da EY no setor e a plataforma segura e rastreável da Databricks, permitirá que os bancos aproveitem o poder da IA em conformidade com a nova regulamentação. Os executivos nos dizem o tempo todo que querem resultados mais rápidos, e essa solução proporciona isso de forma segura e regulamentada”, afirma Ricardo Buffon, Country Leader da Databricks no Brasil.
Regulação amplia responsabilidade dos CDOs
Além dos critérios de qualidade, a regulamentação determina que as instituições designem um diretor responsável pelo cumprimento das regras, pelo acompanhamento das medidas de implementação, pela supervisão da governança da informação e pela prestação de contas ao regulador.
A resolução não define um cargo específico para a função. Segundo o material da EY, a responsabilidade tende a ficar sob a liderança do Chief Data Officer (CDO), executivo que normalmente conduz a estratégia e a governança de dados nas organizações.
Uma pesquisa da EY citada pela empresa aponta que os CDOs têm autoridade total sobre os dados em 61% dos casos, mas em apenas 33% quando o tema é IA. Mais de 80% relatam responsabilidade compartilhada ou total pela tecnologia. O levantamento também indica que nove em cada dez CDOs já utilizam IA na gestão de dados, enquanto apenas 25% das organizações integraram profundamente a tecnologia a esses processos.
“Nesse cenário, a inteligência artificial amplifica a importância da qualidade e da governança de dados. À medida que a tecnologia se torna parte integrante dos processos de negócios, informações inconsistentes podem comprometer análises, decisões e os resultados gerados por sistemas de IA. O desafio, portanto, é ir além da conformidade regulatória e construir uma base confiável, rastreável e governada, capaz de suportar o uso estratégico e seguro da inteligência artificial”, conclui Luchetta.





