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A força de trabalho agêntica: por que o fator humano importa mais do que nunca

Ricardo Ferreira, VP & General Manager da DXC Technology, explica como a IA Agêntica aumenta a relevância do trabalho humano.

IT Section Por IT Section
27/01/2026 - 16:27
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Foto: Divulgação

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O avanço da Inteligência Artificial (IA) entrou em uma nova e decisiva fase. Se até pouco tempo discutíamos ferramentas generativas capazes de criar textos e imagens sob demanda, o foco agora se desloca para a “IA Agêntica”. Diferente das ferramentas passivas, esses novos agentes de IA têm autonomia para executar tarefas complexas, tomar decisões em fluxos de trabalho e colaborar ativamente. Diante dessa mudança, surge uma pergunta inevitável: qual o papel das pessoas em um ecossistema onde a máquina não apenas sugere, mas age?

A resposta é contraintuitiva para alguns, mas clara para quem observa o mercado: quanto mais autônoma se torna a tecnologia, mais crítico se torna o discernimento humano. Não estamos caminhando para um cenário de substituição total, mas para a era da “força de trabalho agêntica”, onde a simbiose entre humanos e máquinas redefine o conceito de produtividade.

A transição da ferramenta para o agente

A IA tradicional funciona como uma calculadora avançada; a IA agêntica funciona como um assistente executivo. Ela entende objetivos, planeja etapas e interage com outros sistemas para concluir uma missão. No entanto, essa autonomia não opera no vácuo. Sem a curadoria humana, a IA corre o risco de otimizar processos sem o contexto ético, cultural ou estratégico que só a experiência pessoal e profissional pode oferecer.

O diferencial competitivo das empresas brasileiras nesta nova era não será apenas o acesso à tecnologia, que está se tornando uma commodity, mas a capacidade de seus colaboradores em liderar esses agentes. O trabalho humano está deixando de ser operacional para se tornar de supervisão, orquestração e, fundamentalmente, de julgamento.

Por que o humano ganha relevância?

Existem três pilares nos quais a presença humana torna-se insubstituível na força de trabalho agêntica:

  • Contexto e Empatia: Agentes de IA são excelentes em processar dados, mas falham ao ler as nuances de uma negociação delicada ou ao entender a cultura organizacional. O toque humano é o que garante que a eficiência da máquina não sacrifique a experiência do cliente ou o bem-estar da equipe.
  • Responsabilidade e Ética: Uma IA agêntica pode tomar decisões em milissegundos, mas quem responde pelas consequências legais e éticas dessas decisões são as pessoas. A governança humana é o freio e o contrapeso necessário para garantir que a autonomia da máquina esteja alinhada aos valores da sociedade.
  • Pensamento Estratégico e Criatividade: A IA trabalha sobre padrões existentes. A capacidade de “pensar fora da caixa”, de romper paradigmas e de criar o que ainda não existe continua sendo uma exclusividade biológica. Os humanos definirão o “quê” e o “porquê”; a IA cuidará do “como”.

O desafio da requalificação

Para o Brasil, o desafio é urgente. A adoção da IA agêntica exige uma requalificação massiva que vá além do ensino técnico. Precisamos desenvolver nos profissionais competências como pensamento crítico, gestão de sistemas complexos e inteligência emocional.

A liderança das empresas precisa preparar o terreno para essa colaboração. Isso significa redesenhar cargos e processos, aceitando que a produtividade não será mais medida por horas de execução manual, mas pela qualidade das decisões tomadas em parceria com a inteligência artificial.

A força de trabalho agêntica não é uma ameaça ao emprego, mas uma evolução da capacidade humana. Ao delegar o repetitivo e o burocrático para agentes inteligentes, liberamos o capital humano para o que ele faz de melhor: resolver problemas complexos, inovar e conectar-se com outras pessoas. No fim das contas, a revolução da IA não é sobre máquinas; é sobre como nós, humanos, escolheremos usá-las para ampliar nosso próprio potencial.

*Por Ricardo Ferreira, VP & General Manager para América Latina da DXC Technology.

Tags: DXC TechnologyIA agênticaInteligência Artificial
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