O Brasil ocupa uma posição privilegiada no que se refere à expansão global dos data centers. Atualmente, o país é o 12º com maior volume de estruturas no mundo, segundo dados do Data Center Map, e será um dos principais destinos de investimentos, que deverão somar cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, de acordo com relatório da agência de classificação de risco Moody’s. Esse processo exigirá performance dos sistemas de geração e transmissão de energia e, nesse cenário, a indústria do Cobre se torna um importante player para assegurar a estabilidade dos sistemas.
Os investimentos crescentes em data centers estão cada vez mais impulsionados pelo avanço acelerado da inteligência artificial, que demanda volumes massivos de processamento e armazenamento de dados. Diferentemente das aplicações tradicionais, os modelos de IA, especialmente os mais avançados, exigem infraestrutura computacional de alta performance, com grande densidade de processamento, elevado consumo energético e sistemas sofisticados de resfriamento.
Nesse contexto, a computação em nuvem ganha ainda mais relevância ao permitir escalabilidade rápida e flexível, viabilizando o treinamento e a operação desses modelos sem a necessidade de grandes aportes iniciais em Despesas de Capital (CAPEX). Dessa maneira, o crescimento da IA se torna o principal vetor de expansão e transformação dos data centers modernos.
Do ponto de vista estrutural, esse movimento requer espaço físico amplo, infraestrutura elétrica englobando quadros, painéis e subestações elétricas, em que o Cobre é utilizado em fios e barramentos, além de sistemas de refrigeração e controles de segurança física e digital. Considerando esses fatores, as empresas que atuam em algum desses ecossistemas já vêm atendendo exigências técnicas mais complexas para o funcionamento desse tipo de sistema.
Indústria do Cobre no contexto de data centers
As principais características do Cobre, como elevada condutividade, troca térmica, alta resistência e durabilidade, fazem com que o metal seja o preferido para a fabricação de data centers. Ele é utilizado nas hastes de aterramento, condutores, quadros elétricos, fios, cabos, barramentos e conectores elétricos. O material também está presente nos sistemas de refrigeração, no formato de tubos, em trocadores de calor e componentes do sistema, além de ser ideal para suportar as altas cargas de trabalho dessa estrutura.
Este movimento de expansão do mercado exige uma adaptação da indústria do Cobre à maior demanda por materiais. Nesse sentido, gestores do setor vêm enfrentando custos logísticos elevados, carga tributária complexa e concorrência com produtos importados, principalmente os asiáticos, o que impacta diretamente a competitividade da produção nacional. No entanto, o cenário também apresenta oportunidades para as empresas, já que as estruturas de energia consomem um volume elevado do metal.
Países produtores de Cobre, como o Brasil, levam vantagem na corrida pela atração de data centers, pois, em via de regra, apresentam uma indústria de transformação capaz de atender demandas mais complexas com alto rigor técnico, o que pode gerar alternativas a produtos importados e abrir espaço para projetos mais rentáveis, com entregas antecipadas e personalizadas. Fatores como maturidade de mercado, consumo, segurança, disponibilidade de incentivos fiscais e a própria viabilidade econômica e financeira do projeto também impactam no direcionamento de investimentos para esta proposta.
Impacto na disponibilidade do metal
Uma das preocupações que o aumento dos data centers suscita é referente ao impacto na disponibilidade do Cobre. A curto e médio prazos, a expansão não deve acarretar a escassez local ou global do material, mas deverá pressionar os preços e limitar estoques com o aumento na demanda.
Porém, a S&P Global estima que, até 2040, setores de Inteligência Artificial, que abrange os centros de dados, e de defesa deverão ampliar a demanda global de Cobre em 50%, criando um cenário de déficit de 10 milhões de toneladas por ano, caso não haja reciclagem, mineração ou outras fontes de suprimento para a reposição do produto.
No contexto da economia circular, o cobre destaca-se por sua alta reciclabilidade e pelo seu elevado valor agregado. Sua capacidade de ser recuperado, processado e reinserido na cadeia produtiva reforça sua relevância como material estratégico para iniciativas de reaproveitamento e uso mais eficiente de recursos.
Futuro dos data centers no Brasil
Um estudo da Lenovo aponta que o data center do futuro será definido pela eficácia com a qual a estrutura pode escalar para IA, bem como o cumprimento de metas de sustentabilidade e a operação com a máxima eficiência energética.
A partir disso, ligas especiais supercondutoras para minimizar perdas energéticas, refrigeração híbrida e hyperscales para maior capacidade de processamento estarão mais presentes nesta estrutura, indicativos de que o Cobre continuará sendo um material relevante para o desenvolvimento do segmento.
O número de instalações de data centers no Brasil nos próximos anos aumentará exponencialmente das 195 atuais e, nesse cenário, também se espera um crescimento diretamente proporcional da produção e transformação do Cobre para atender a nova demanda, de maneira a proporcionar alta performance e estabilidade operacional à infraestrutura.
Essa é uma oportunidade para que a indústria brasileira ganhe espaço nesse mercado e assuma um papel cada vez mais protagonista e estratégico no fornecimento não somente do Cobre, mas de seus subprodutos para o segmento, ampliando a competitividade da produção nacional frente às importações.
*Por Walter Sanches, Diretor de Tecnologia da Informação e Planejamento da Termomecanica.




