Nos últimos 30 anos, o setor financeiro passou por diversas revoluções tecnológicas. Primeiro vieram os caixas eletrônicos, que tiraram parte das operações das agências. Depois surgiram os internet bankings e, mais tarde, os aplicativos móveis, que colocaram o banco à disposição do cliente, em qualquer hora e a qualquer momento.
Apesar dessas transformações, havia algo que permanecia praticamente sem alteração: a forma como os sistemas financeiros eram construídos.
Equipes grandes, ciclos de desenvolvimento longos e processos complexos sempre fizeram parte da criação de tecnologia bancária. Mesmo com novas linguagens de programação ou novas interfaces, a maneira de se construir um software continuava essencialmente a mesma.
Agora, estamos entrando em um novo momento. A inteligência artificial começa a transformar não apenas a experiência do cliente bancário, mas a própria engenharia por trás das plataformas financeiras.
A nova velocidade da inovação financeira
Com a hiperconectividade do sistema financeiro, hoje, uma simples compra online pode envolver uma cadeia complexa de integrações: Pix, cartões, gateways, bancos, wallets e plataformas digitais. Essa infraestrutura exige sistemas cada vez mais complexos e robustos para suportar as operações. Acontece que, até pouco tempo atrás, a velocidade de construção dessas soluções não acompanhava a velocidade das mudanças do mercado.
É nesse ponto que ferramentas baseadas em IA estão acelerando a modernização de sistemas legados, automatizando etapas do desenvolvimento, permitindo ciclos de testes mais rápidos e viabilizando a personalização de aplicações financeiras em escala.
Esse avanço acompanha uma tendência mais ampla dessa indústria. De acordo com a Gartner, até 2028, cerca de 75% dos desenvolvedores de software utilizarão assistentes de IA em suas rotinas, o que deve acelerar a produtividade e transformar o ciclo de desenvolvimento como conhecemos hoje.
O novo diferencial competitivo dos bancos
Durante décadas, bancos competiam principalmente por escala ou por capilaridade. Depois vieram as fintechs, que trouxeram a vantagem da experiência digital. Agora surge um novo diferencial competitivo: a capacidade de inovar rapidamente.
Isso não significa que desenvolver software bancário ficou simples. Pelo contrário. As equipes precisam ser cada vez mais multidisciplinares, capacitadas e especializadas. Mas uma mudança é inegável: a velocidade com que novas soluções podem ser concebidas, desenvolvidas e levadas ao mercado aumentou de forma significativa.
Isso se aplica a novos meios de pagamento, experiências digitais personalizadas, soluções de crédito e serviços financeiros integrados a ecossistemas digitais cada vez mais amplos.
Velocidade como estratégia: a transformação começa dentro de casa
Essa transformação no setor financeiro não se resume à adoção de novas tecnologias na ponta, nem apenas à criação de novos produtos. O movimento mais significativo acontece dentro das próprias áreas de tecnologia.
O desafio passa a ser como incorporar a inteligência artificial no dia a dia de seus processos de desenvolvimento, desde a concepção até a entrega, para melhorar a experiência dos clientes, mas, principalmente, para aumentar a velocidade com que essas experiências chegam ao mercado. Em um ambiente marcado por ecossistemas cada vez mais interconectados, é preciso encurtar o caminho entre a ideia, desenvolvimento e a execução.
Nesse contexto, bancos, fintechs e empresas de tecnologia financeira que conseguirem evoluir suas plataformas digitais com velocidade estarão mais bem posicionados e terão vantagem competitiva. É uma estratégia que está diretamente conectada a essa mudança estrutural: acelerar a entrega de valor de forma consistente.
*Por Jorge Iglesias, CEO da Topaz.





