A Kaspersky identificou uma nova técnica utilizada por cibercriminosos para distribuir QR Codes maliciosos sem recorrer a imagens tradicionais. Em vez de utilizar arquivos como JPG ou PNG, os criminosos criam códigos utilizando apenas letras, símbolos e caracteres de texto organizados de forma a reproduzir visualmente um QR Code.
Embora o código seja composto apenas por texto, celulares conseguem interpretá-lo normalmente quando a câmera é apontada para a tela. A principal vantagem para os criminosos é que muitos sistemas de segurança enxergam esse conteúdo apenas como texto comum, permitindo que a ameaça passe despercebida pelos filtros de spam e alcance as caixas de entrada das vítimas.
Técnica remete aos primórdios da computação
Segundo a Kaspersky, a estratégia tem origem em uma técnica criada nos anos 1960, quando os computadores ainda não eram capazes de exibir imagens gráficas.
Conhecida como ASCII (American Standard Code for Information Interchange), a prática consistia em formar desenhos utilizando caracteres do teclado. Apesar do surgimento de tecnologias mais modernas, o conceito de “arte ASCII” continua sendo utilizado para representar imagens por meio de texto.
A técnica já havia sido explorada por operadores de spam nos anos 2000 para ocultar conteúdos maliciosos e evitar mecanismos de detecção. Agora, ela retorna em um novo contexto, associado a ataques de phishing e roubo de credenciais corporativas.
Como funciona o golpe
Nos ataques identificados pela empresa, os criminosos enviam e-mails que simulam comunicações legítimas de parceiros comerciais ou plataformas conhecidas, como sistemas de assinatura eletrônica.
As mensagens informam que existe um documento confidencial aguardando assinatura e orientam o destinatário a escanear o QR Code exibido no corpo do e-mail.
Ao realizar a leitura, a vítima é direcionada para um site falso que imita páginas corporativas de login. O objetivo é capturar credenciais de acesso e permitir invasões a contas empresariais.
Objetivo é driblar sistemas de proteção
De acordo com a Kaspersky, o uso de QR Codes desenhados com texto busca contornar soluções de segurança que analisam imagens em busca de conteúdos suspeitos.
“Cibercriminosos fazem de tudo para esconder links maliciosos, as vezes dentro de imagens ou arquivos não suspeitos. Agora, eles usam texto puro para desenhar a imagem do QR Code e evitar que as tecnologias de segurança baseadas em imagem façam o bloqueio. Qualquer situação em que um QR Code peça para o usuário inserir credenciais corporativas em um dispositivo móvel deve levantar suspeita imediata. Quando esse código é formado por arte textual, há uma grande chance de ser uma tentativa de phishing ou uma isca para um endereço malicioso, criada com o único propósito de burlar as tecnologias de proteção”, explica Fabio Assolini, Lead Security Researcher da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.
Empresas precisam reforçar a proteção contra phishing
Para reduzir os riscos desse tipo de ataque, a Kaspersky recomenda que as organizações adotem soluções avançadas de proteção para servidores de e-mail, capazes de analisar o contexto das mensagens e identificar ameaças além da simples verificação de imagens.
Outra recomendação é incentivar os usuários a verificar cuidadosamente o endereço do site antes de inserir credenciais após escanear qualquer QR Code recebido por e-mail ou aplicativos de comunicação.
A empresa também destaca a importância de programas contínuos de conscientização em segurança digital, incluindo treinamentos e simulações de phishing para ajudar colaboradores a reconhecer mensagens suspeitas e técnicas de engenharia social cada vez mais sofisticadas.
Evolução dos golpes com QR Code
Os ataques envolvendo QR Codes não são novidade. Em 2021, a Kaspersky detectou no Brasil uma campanha que utilizava falsas faturas de serviços de telecomunicações e internet para induzir vítimas a realizar pagamentos por meio de códigos fraudulentos.
Em 2024, a empresa identificou a evolução dessa prática com o uso do Reboleto, ferramenta que permitia alterar QR Codes e códigos de barras em boletos legítimos diretamente nas caixas de entrada de e-mail.
A nova modalidade demonstra como os criminosos continuam adaptando técnicas antigas para contornar sistemas de proteção e explorar novas formas de engenharia social.





