O financeiro é a área responsável por garantir conformidade e, ao mesmo tempo, apoiar as decisões estratégicas do negócio, o que exige cada vez mais eficiência e assertividade nos resultados. Nesse contexto, a área tem se destacado como líder de transformação tecnológica no Brasil com 59,4% das empresas priorizando investimentos nesse seguimento, além de ser a indústria com a maior maturidade digital, de acordo com o Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr), desenvolvido pela PwC Brasil, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).
Esse movimento acontece à medida em que tecnologias como ERP na nuvem, Inteligência Artificial (IA) e a automação surgem como caminhos diretos para resolver as dores estruturais da área, em que os impactos da ineficiência se tornam mais evidentes. A partir disso, é possível perceber uma mudança no perfil dos trabalhadores do setor, que estão se tornando mais analíticos, a partir do momento em que atividades repetitivas estão sendo automatizadas.
O fechamento contábil, por exemplo, está se tornando um processo contínuo, com dados mais confiáveis e disponíveis em tempo real. Isso muda significativamente a dinâmica de tomada de decisão e amplia a necessidade da maturidade digital para entender e operar as ferramentas no dia a dia.
O ERP
Dentro desse processo de maturidade digital, muitas empresas adotam sistemas de ERP que geram integração, escalabilidade e acesso à informação em tempo real. Diferente dos sistemas legados, ele cria uma base única de dados e oferece mais segurança e flexibilidade para acompanhar o crescimento da empresa.
Na prática, o uso desses softwares viabiliza uma gestão mais ágil e confiável da área financeira que, quando combinada com a IA, cria uma base dinâmica de dados, sobre a qual é possível aplicar modelos preditivos. Isso permite identificar riscos e agir com antecedência, transformando a qualidade da gestão financeira.
A união da IA e automação
Atualmente, a IA resolve os problemas do dia a dia da operação com consistência, através da identificação de anomalias, conciliações automatizadas e análise de grandes volumes de dados. Com isso, é possível elevar o nível dos insights, já que a tomada de decisão incorpora cenários e padrões que seriam inviáveis de identificar manualmente.
Quando unimos a inteligência artificial à automação dos processos em setores com alto volume de demandas, repetição e suscetibilidade a erros humanos, os ganhos de eficiência e produtividade aumentam. Assim, até 2030, a tendência é que essas atividades sejam amplamente automatizadas, com intervenção humana focada em exceções e análises.
Além disso, essa união amplia a capacidade de rastreabilidade e transparência, pilares fundamentais de governança, ao mesmo tempo que exigem responsabilidade no uso de dados, critérios claros e mitigação de vieses. No contexto de ESG, isso se traduz em processos mais auditáveis, decisões mais consistentes e maior confiabilidade das informações reportadas ao mercado. Por isso, ainda segundo o ITDBr, o setor financeiro se torna referência.
Obstáculos da maturidade digital
Apesar dos avanços, muitas empresas ainda enfrentam desafios para atingirem essa maturidade digital. No entanto, as principais barreiras não são tecnológicas, mas estruturais. Isso porque, inúmeras empresas tentam implementar as soluções sobre uma base de dados desorganizada, limitando os resultados. Sem governança, padronização e uma visão estratégica, não é possível alcançar o potencial esperado.
Assim, o primeiro passo é estruturar os processos existentes para que a tecnologia seja aplicada como uma camada capaz de potencializar uma base já organizada. A partir disso, também é possível adotar modelos de terceirização estratégica, como o BTO (Business Transformation Outsourcing), que potencializam o uso das soluções, estruturam processos e integraram as ferramentas. Desta forma, essa combinação permite reduzir custos operacionais e alcançar um nível de maturidade digital que muitas empresas não conseguiriam desenvolver internamente.
Além disso, é fundamental adotar uma implementação gradual, com prioridades e métricas bem definidas, garantindo que governança e compliance estejam presentes desde o início. Afinal, a maturidade digital no financeiro está diretamente relacionada à competitividade, e as empresas com processos bem estruturados respondem mais rapidamente ao mercado e tomam decisões com mais segurança.
*Por Renato Halt, Presidente de Business Transformation Outsourcing (BTO) na H&CO.





