A virtualização continua desempenhando um papel estratégico nas áreas de infraestrutura de TI, mesmo diante das mudanças nos modelos de licenciamento e da evolução das arquiteturas corporativas. É o que mostra um estudo da Red Hat, realizado com mais de mil tomadores de decisão de grandes empresas em 2025, que identificou que 71% das organizações mantêm mais da metade de sua infraestrutura virtualizada, incluindo servidores, armazenamento, redes e outros recursos.
Segundo o levantamento, a tecnologia segue como um dos pilares da infraestrutura corporativa, enquanto as empresas revisam suas estratégias operacionais para atender à crescente demanda por escalabilidade, especialmente impulsionada pela inteligência artificial (IA). Nesse cenário, cresce a busca por plataformas capazes de integrar diferentes ambientes e oferecer maior flexibilidade.
Virtualização evolui para atender novos modelos de infraestrutura
O estudo destaca que a virtualização permanece relevante, mas passa por uma transformação para atender arquiteturas mais abertas e integradas com containers, Kubernetes e nuvem híbrida.
Para Bruno Machado, diretor do OpenShift para a América Latina na Red Hat, a tecnologia segue sendo fundamental para a infraestrutura corporativa. “A disciplina já não é a mesma que conhecemos há uma década. Ela continua sendo uma peça importante das estratégias de TI, mas passa a evoluir para arquiteturas mais abertas e integradas com containers, Kubernetes e nuvem híbrida”, afirma.
A pesquisa reforça essa percepção. De acordo com os entrevistados, 90% consideram que a virtualização impulsiona a inovação e permite que as empresas se adaptem mais rapidamente às mudanças tecnológicas. Além disso, 88% classificam a tecnologia como um elemento essencial da infraestrutura moderna.
Gestão de ambientes híbridos amplia desafios para a TI
Com a adoção simultânea de máquinas virtuais, aplicações tradicionais, containers e microsserviços, as organizações enfrentam o desafio de administrar ambientes cada vez mais complexos.
Na avaliação de Machado, a integração desses diferentes modelos exige novas abordagens de gerenciamento e automação. “As empresas precisam lidar com diferentes tipos de cargas de trabalho sem ampliar a complexidade operacional. A tendência é que as VMs e os microsserviços coexistam sob uma mesma camada de gerenciamento”, diz.
Nesse contexto, plataformas de infraestrutura híbrida ganham espaço ao permitir que máquinas virtuais e aplicações em containers sejam executadas e gerenciadas em um mesmo ambiente. Segundo a Red Hat, esse modelo facilita processos de modernização sem exigir alterações imediatas nas aplicações existentes.
Inteligência artificial impulsiona modernização da infraestrutura
Dados apresentados durante o Red Hat Summit 2026 mostram o avanço da adoção da plataforma Red Hat OpenShift Virtualization. Segundo a empresa, o número de máquinas virtuais em execução na solução cresceu 417% no último ano. No mesmo período, os clusters que executam máquinas virtuais aumentaram 93%, enquanto a base de clientes que utilizam máquinas virtuais registrou crescimento de 70%.
O estudo também aponta que a expansão da inteligência artificial influencia diretamente esse movimento. Como muitas aplicações de IA são desenvolvidas em ambientes baseados em containers, cresce a demanda por plataformas que ofereçam automação, escalabilidade e maior capacidade computacional.
Entre as organizações entrevistadas, 54% utilizam ou avaliam o uso de IA generativa para gerar relatórios e insights sobre a infraestrutura. Outros 50% pretendem empregar a tecnologia no suporte às equipes de TI para resolução de problemas, enquanto 49% estudam sua aplicação na análise preditiva para otimização de cargas de trabalho.
Para Machado, a combinação entre virtualização, containers e automação deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. “A capacidade de combinar virtualização, containers e automação tende a ser um fator relevante para organizações que buscam modernizar sua infraestrutura e incorporar novas aplicações, incluindo iniciativas de inteligência artificial”, conclui.
Como exemplo dessa tendência, a Red Hat destaca o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que adotou o Red Hat OpenShift Virtualization em sua infraestrutura de missão crítica para integrar recursos de nuvem híbrida, gerenciar máquinas virtuais e preparar o ambiente para futuras aplicações baseadas em containers.





