A evolução dos deepfakes está elevando o risco de fraudes digitais em processos de verificação de identidade. Segundo a LexisNexis Risk Solutions, uma em cada 100 verificações de identidade malsucedidas já envolve conteúdos gerados por inteligência artificial, como documentos, imagens e vídeos falsificados.
A empresa afirma que esse tipo de ataque está entre os vetores de fraude com crescimento mais acelerado no mundo e alerta que organizações devem enfrentar um aumento no volume de tentativas de fraude à medida que cresce a adoção da verificação digital de identidade.
Ataques cresceram 180% em um ano
De acordo com a LexisNexis Risk Solutions, os ataques envolvendo deepfakes aumentaram 180% em relação ao ano anterior. A empresa destaca que a qualidade e o nível de sofisticação dos documentos e conteúdos gerados por IA continuam evoluindo, tornando mais difícil identificar fraudes por meio de processos tradicionais de verificação de identidade e onboarding.
A Juniper Research estima que o número de verificações digitais de identidade realizadas globalmente chegará a 100,4 bilhões em 2026, alta de 16% em relação ao ano anterior. Nesse cenário, a expectativa é de que uma em cada 100 verificações malsucedidas contenha um deepfake.
“Os deepfakes tornam a verificação de identidade digital muito mais complexa. Proteger-se contra essa onda de ataques exige uma linha de defesa sólida que incorpore captura ponta a ponta, análise de fraude e verificações de prova de vida”, afirma Kimberly Sutherland, head global de fraude e identidade da LexisNexis Risk Solutions. “Mesmo a menor brecha em suas defesas é como uma janela aberta pela qual um fraudador pode entrar.”
Documentos falsificados desafiam sistemas de autenticação
Segundo a empresa, criminosos utilizam deepfakes para contornar mecanismos de autenticação, criar contas fraudulentas ou assumir o controle de contas existentes, com o objetivo de realizar pagamentos, saques, compras não autorizadas, lavagem de dinheiro e exploração de programas promocionais.
O Relatório de Cibercrime da LexisNexis Risk Solutions aponta que uma em cada 11 novas contas criadas em 2025 foi resultado de uma tentativa de fraude. Além disso, quase um quinto das fraudes reportadas envolveu acessos não autorizados a contas de clientes.
A empresa afirma que, com a evolução dos deepfakes, as soluções de verificação precisam analisar detalhes como estrutura dos documentos, hologramas, microtextos, integridade das imagens, além de características biométricas presentes em fotos e vídeos.
“Deepfakes altamente realistas exigem uma análise forense de centenas de elementos de segurança: estrutura do documento, integridade da imagem, hologramas, gravações e microtextos. Normalmente, os deepfakes falham em várias pequenas imperfeições, ao contrário das falsificações físicas que geralmente falham em um único problema importante, mas essas falhas não são fáceis de identificar a olho nu durante verificações manuais. O mesmo vale para imagens e vídeos deepfake. As verificações precisam analisar micromovimentos faciais, avaliar padrões de iluminação e identificar sinais sutis de manipulação digital, incluindo técnicas avançadas de injeção de imagem.”
Passaportes lideram lista de documentos visados
As análises da LexisNexis Risk Solutions mostram que os fraudadores concentram seus esforços em documentos de identidade com ampla aceitação internacional, principalmente passaportes, carteiras de motorista e documentos nacionais de identidade. Entre os mais visados estão os emitidos por Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França.
Para Shane O’Sullivan, analista de pesquisa da Juniper Research, o avanço das fraudes exige soluções que integrem autenticação documental, biometria, prova de vida e análise de risco em tempo real em um único fluxo de trabalho.
“À medida que a verificação digital de identidade evolui, os requisitos centrais passam a estar relacionados à capacidade técnica de integrar múltiplos sinais de confiança em uma arquitetura de sistema coerente. Soluções eficazes dependem da coordenação entre autenticação de documentos, detecção biométrica de prova de vida e análise de risco em tempo real dentro de um único fluxo de trabalho. Cada vez mais, o sucesso dos sistemas de detecção de fraude é definido pela sua capacidade de identificar ameaças avançadas, como identidades sintéticas e deepfakes, mantendo a interoperabilidade entre padrões e minimizando latência e atrito para o usuário.”
A especialista da LexisNexis reforça que o impacto desse cenário vai além das perdas financeiras e pode afetar diretamente a reputação das empresas.
“O risco para as empresas é real tanto do ponto de vista financeiro quanto reputacional. A realidade é que os ataques gerados por IA estão praticamente dobrando ano após ano e se tornando mais sofisticados a cada nova tentativa”, conclui Kimberly Sutherland.





