O Brasil permanece entre os países mais expostos às ameaças cibernéticas na América Latina. Além do volume de incidentes registrados, a dificuldade das organizações em identificar ataques e monitorar seus ambientes também aparece como um dos principais desafios apontados pelo ESET Security Report 2026, levantamento realizado pela ESET com profissionais de cibersegurança da região.
Segundo o estudo, 62% das organizações brasileiras registraram ao menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses, percentual superior à média latino-americana, de 52,7%. Ao mesmo tempo, 14,7% das empresas entrevistadas afirmam não conseguir confirmar se foram alvo de tentativas de ataque.
O levantamento indica que a falta de visibilidade sobre os ambientes corporativos pode dificultar a identificação de atividades maliciosas e comprometer a capacidade das empresas de avaliar riscos e responder a incidentes.
Entre as organizações que afirmam não ter identificado ataques, 43,3% das empresas brasileiras acreditam que podem ter sido comprometidas sem perceber, justamente pela ausência de tecnologias capazes de detectar atividades maliciosas. Na América Latina, aproximadamente quatro em cada dez empresas ainda não contam com visibilidade suficiente para avaliar sua postura de cibersegurança, identificar ameaças e responder rapidamente a incidentes.
Phishing segue como principal vetor de ataque
Entre as empresas brasileiras que registraram incidentes, o phishing aparece como o principal vetor de ataque. Segundo a pesquisa, 70,9% foram alvo de golpes de engenharia social.
Outros vetores identificados no levantamento foram acessos não autorizados, com 44,3%, infecções por malware, com 41,8%, exploração de vulnerabilidades, com 49,4%, e sequestro ou vazamento de informações, com 11,4%.
Os dados mostram que, apesar da evolução das técnicas utilizadas pelos criminosos, a exploração da confiança dos usuários continua sendo uma das principais formas de comprometimento de ambientes corporativos.
“Os dados mostram que o desafio das empresas não está apenas em impedir os ataques, mas em conseguir enxergá-los. Quanto menor a visibilidade sobre o ambiente, maior a chance de um invasor permanecer ativo por mais tempo sem ser identificado. Ao mesmo tempo, o phishing continua sendo extremamente eficiente porque explora o fator humano e acompanha a transformação digital das organizações, utilizando comunicações cada vez mais convincentes para obter acesso a credenciais e sistemas corporativos”, afirma Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET no Brasil.
Manufatura, Educação e Governo estão entre os setores mais visados
A incidência de ataques varia entre os setores econômicos analisados pelo estudo. Na Manufatura, 58,3% das empresas relataram incidentes de segurança. O setor também apresentou uma das maiores incidências de phishing, com 85,7%.
No segmento Bancário e Financeiro, dois terços das instituições afirmaram ter sofrido ataques ao longo do último ano. O resultado reforça a exposição de organizações que operam serviços e dados considerados críticos.
Setores que concentram grandes volumes de informações, como Governo, Educação e Saúde, também aparecem no levantamento. Nas instituições de ensino, o phishing é apontado como o principal vetor de ataque. Já na área de Saúde, o estudo chama atenção para a possibilidade de subnotificação de incidentes, indicando dificuldades na identificação e no monitoramento de ameaças.
Detecção ganha importância na estratégia de segurança
Para a ESET, os números mostram que a cibersegurança envolve não apenas a prevenção de ataques, mas também a capacidade de identificar rapidamente atividades suspeitas.
O levantamento destaca a importância do monitoramento contínuo, da inteligência de ameaças, da atualização dos sistemas e da conscientização dos colaboradores para ampliar a visibilidade dos ambientes corporativos e fortalecer a resposta a incidentes.





