O Brasil registrou, em julho de 2026, média de 4.151 ataques cibernéticos por organização a cada semana, alta de 45% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são do relatório mensal da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da Check Point Software.
O volume brasileiro ficou acima da média global, de 2.336 ataques por organização semanalmente. No mundo, o índice cresceu 16% na comparação anual e 3% em relação a junho.
No Brasil, o setor governamental permaneceu como o mais atacado, seguido por Energia e Serviços Públicos (Utilities) e Serviços Financeiros.
América Latina lidera volume de ataques
A América Latina permaneceu como a região mais atacada do mundo em julho, com média de 3.561 ataques por organização por semana, aumento de 19% em relação a julho de 2025.
A Ásia-Pacífico ficou na segunda posição, com 3.316 ataques, seguida pela África, com 3.237. A Europa registrou média de 2.051 ataques por organização por semana, alta de 18% na comparação anual. Na América do Norte, foram 1.613 ataques, crescimento de 9%.
Educação continua entre os setores mais visados
No cenário global, o setor de Educação permaneceu como o mais atacado, com média de 4.848 ocorrências por organização por semana, aumento de 14% em relação a julho de 2025.
O setor de Governo ocupou a segunda posição, com 3.044 ataques, seguido por Telecomunicações, com 2.927. Energia e Serviços Públicos registrou crescimento de 20%, chegando a 2.759 ataques.
Turismo, Hotelaria e Lazer também entrou entre os cinco setores mais atacados, com média de 2.614 ocorrências e alta anual de 28%.
IA generativa amplia exposição a dados
O uso corporativo de ferramentas de inteligência artificial generativa também aparece como um dos pontos de atenção identificados pela pesquisa. Segundo a CPR, um em cada 36 prompts corporativos apresentava alto risco de vazamento de dados sensíveis.
Entre as organizações que utilizam regularmente ferramentas de IA generativa, 88% foram afetadas por atividades de alto risco relacionadas a prompts. Além disso, 22% dos comandos continham informações potencialmente sensíveis.
Cada organização utilizou, em média, oito ferramentas de IA, enquanto os usuários produziram aproximadamente 95 prompts no período.
Dados pessoais foram a categoria de informação sensível mais exposta, identificada em 70% das organizações analisadas. Dados financeiros e informações relacionadas a redes e infraestrutura de TI apareceram em 68% das organizações afetadas.
Phishing mantém relevância como vetor de ataque
O e-mail permaneceu entre os principais vetores de risco cibernético. Em julho, um em cada 128 e-mails, equivalente a 0,78%, foi classificado como phishing.
Outros 20% foram enquadrados em categorias consideradas indesejadas ou de risco, incluindo graymail, spam e mensagens suspeitas.
A África apresentou a maior taxa de phishing, com um em cada 106 e-mails classificados dessa forma. Na América do Norte, a proporção foi de um em cada 117.
Ransomware cresce 87% em um ano
O ransomware apresentou uma das maiores mudanças no cenário global de ameaças em julho. Foram registradas 964 vítimas, alta de 49% em relação a junho e de 87% na comparação com julho de 2025.
O resultado interrompe a relativa estabilidade observada no primeiro semestre de 2026, quando a atividade mensal de ransomware ficou em média em torno de 672 incidentes.
Serviços Empresariais foi o setor mais afetado, concentrando 32,5% das vítimas conhecidas. Manufatura e Indústria respondeu por 14,4%, enquanto Bens e Serviços de Consumo representou 13,4%.
A América do Norte concentrou 45% dos incidentes de ransomware registrados, seguida pela Europa, com 28%, e pela Ásia-Pacífico, com 17%. Entre os países, os Estados Unidos responderam por 39,4% dos ataques, seguidos por Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália.
The Gentlemen e Qilin lideram ataques de ransomware
The Gentlemen e Qilin foram os grupos de ransomware mais prevalentes em julho, cada um responsável por 14% dos ataques publicados. O DeadLock ficou na sequência, com 10% dos ataques e 97 vítimas reportadas.
A movimentação entre os grupos evidencia a dinâmica do ecossistema de ransomware, no qual as operações criminosas podem ampliar ou reduzir rapidamente sua participação conforme obtêm novos acessos, recrutam afiliados e modificam suas técnicas de ataque.
O relatório completo sobre as ameaças cibernéticas observadas em julho de 2026 está disponível na Check Point Research.





