Durante os últimos dois anos, grande parte da discussão sobre inteligência artificial nas empresas esteve concentrada na pergunta “como adotar a tecnologia?”. Organizações correram para testar copilotos, criar assistentes virtuais e encontrar aplicações capazes de gerar ganhos rápidos de produtividade.
Essa fase foi importante, mas está ficando para trás, porque o próximo desafio não será simplesmente colocar mais IA dentro das empresas, mas garantir que essa inteligência trabalhe de forma coordenada, segura e alinhada aos objetivos do negócio.
Quando a autonomia exige governança
Estamos entrando na era dos agentes de IA, uma nova etapa da transformação digital, em que diferentemente dos sistemas tradicionais, que apenas respondem a comandos, os agentes são capazes de interpretar objetivos, tomar decisões dentro de determinados limites e executar uma sequência de ações para concluir uma tarefa. Na prática, eles podem atuar em processos inteiros, conectando diferentes sistemas e áreas da organização.
Isso abre oportunidades enormes, por exemplo, um agente pode apoiar equipes financeiras na análise de documentos, ajudar áreas de atendimento a resolver demandas complexas ou automatizar etapas de processos internos que antes dependiam de diversas interações humanas.
Mas o controle precisa receber a mesma atenção que a inovação, porque uma empresa pode criar dezenas de agentes rapidamente, mas pode não estar preparada para administrá-los?
Quem define quais decisões eles podem tomar? Quais informações podem acessar? Como garantir rastreabilidade? Como identificar um erro antes que ele gere impacto para clientes ou para o próprio negócio?
Um estudo recente da Deloitte, empresa de serviços empresariais, feito com 3.235 líderes de negócios e tecnologia em 24 países revelou que apenas 21% das organizações possuem modelos maduros de governança para IA agêntica, apesar do crescimento esperado no uso desses sistemas nos próximos anos.
Isso mostra o paradoxo de que as empresas estão criando uma nova força de trabalho digital antes de estabelecer regras claras para essa força de trabalho.
No passado, muitas organizações adotaram tecnologias isoladas sem pensar em integração, processos e gestão e o resultado foi uma grande quantidade de ferramentas que não necessariamente geravam o valor esperado.
Com a inteligência artificial, o aprendizado precisa ser diferente, já que o valor não estará em ter o maior número de agentes, mas em criar uma arquitetura capaz de combinar automação, inteligência e supervisão humana.
O diferencial não é mais ter IA, mas saber direcioná-la
Isso exige uma mudança cultural dentro das empresas, em que a pergunta deixa de ser “qual ferramenta de IA devemos comprar?” e passa a ser “quais processos queremos transformar e quais limites precisamos estabelecer?”.
A inteligência artificial não deve substituir a responsabilidade humana, pelo contrário, quanto mais autonomia damos às máquinas, maior precisa ser nossa capacidade de definir estratégias, acompanhar resultados e tomar decisões.
O futuro das organizações será construído por aquelas empresas que conseguirem equilibrar velocidade com governança. A grande vantagem competitiva da próxima fase da IA não estará apenas na capacidade de automatizar tarefas, mas na capacidade de criar sistemas inteligentes que funcionem dentro das regras, dos valores e dos objetivos de cada negócio.
A pergunta que as empresas precisam fazer agora é “como garantir que a IA que estamos criando trabalhe a nosso favor?”.
*Por Fernando Baldin, Country Manager LATAM da AutomationEdge.





