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Pix de R$ 0,01 prepara golpe, alerta CISO da DANRESA

Especialista explica que microtransferências não invadem contas, mas podem ser usadas para criar credibilidade em golpes de engenharia social.

IT Section Por IT Section
02/09/2026 - 16:57
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Foto: Canva

Foto: Canva

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Um Pix de R$ 0,01 não dá ao remetente acesso à conta bancária do destinatário, mas pode ser utilizado como parte da preparação para um golpe de engenharia social. O alerta é de Daniel Porta, CISO da DANRESA e especialista em cibersegurança, que explica os riscos por trás do chamado “golpe do Pix de R$ 0,01”, mensagem que voltou a circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

“Receber um Pix de R$ 0,01 não dá ao remetente acesso à sua conta bancária”, resume.

Segundo o especialista, a narrativa que atribui à microtransferência a capacidade de invadir contas mistura um risco real com uma conclusão tecnicamente equivocada. O problema está no uso da transação para estabelecer um contato aparentemente legítimo com a vítima.

Como o golpe usa uma transação real

O funcionamento do DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais), infraestrutura do Banco Central, permite relacionar chaves Pix às respectivas contas. De acordo com o manual operacional do órgão, a consulta a uma chave apresenta dados básicos, como nome, instituição e agência, permitindo que o pagador confirme o destinatário antes de concluir a operação.

O criminoso, portanto, não precisa enviar um centavo para obter essas informações. Basta consultar a chave no aplicativo. A microtransferência pode ter outra finalidade: criar no extrato da vítima um lançamento verdadeiro, que posteriormente será utilizado pelo golpista para dar credibilidade ao contato.

A transação também pode ser utilizada para testar contas ativas ou identificar chaves válidas em listas obtidas anteriormente. Nesse cenário, o Pix não representa uma invasão, mas uma etapa de preparação para um pretexto utilizado posteriormente.

Engenharia social é o principal risco

Com informações básicas sobre a vítima, criminosos podem cruzar dados obtidos de diferentes fontes, como redes sociais e vazamentos anteriores. A combinação permite construir abordagens mais convincentes.

O Mapa da Fraude 2026, da Serasa Experian, registrou quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em validações de identidade no Brasil no primeiro trimestre do ano. O setor financeiro concentrou seis em cada dez ocorrências.

Quando o golpista menciona o banco correto e uma transação que realmente aparece no extrato, a abordagem pode parecer legítima para a vítima. O objetivo, nesse caso, não é invadir diretamente a conta, mas convencê-la a fornecer informações ou realizar uma ação que permita o desvio dos recursos.

Como agir ao receber um Pix desconhecido

A orientação apresentada no texto é verificar o recebimento diretamente pelo aplicativo oficial do banco. Caso seja necessário devolver o valor, o procedimento deve ser realizado exclusivamente pela ferramenta nativa de devolução da instituição financeira.

A solicitação para que a vítima envie o dinheiro para outra chave Pix pode indicar uma tentativa de desvio dos recursos. Por isso, a recomendação é não realizar uma nova transferência por orientação de terceiros.

O que fazer em caso de golpe

Caso a fraude seja concretizada, a rapidez na contestação é importante. O texto destaca o MED 2.0, Mecanismo Especial de Devolução, que permite realizar a contestação pelo autoatendimento do aplicativo e prevê o bloqueio cautelar dos valores por até 11 dias para rastreamento de contas intermediárias.

O prazo para acionar o MED permanece em até 80 dias. A orientação também inclui registrar boletim de ocorrência e monitorar o CPF pelo Registrato do Banco Central.

“O principal objetivo de muitos golpes financeiros modernos não é quebrar a tecnologia, mas fazer com que nós mesmos confiemos na pessoa errada”, conclui Porta.

Tags: DANRESAEngenharia socialPIX
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