quarta-feira, 21 de outubro de 2026
SIGA-NOS NO GOOGLE NEWS
IT Section - O essencial da TI em um só lugar
  • Últimas
  • Negócios
  • Segurança
  • Opinião
  • Tecnologia
  • Entrevistas
  • RH
  • Produtos
  • Além da TI
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas
  • Negócios
  • Segurança
  • Opinião
  • Tecnologia
  • Entrevistas
  • RH
  • Produtos
  • Além da TI
Sem Resultados
Ver todos os resultados
IT Section - O essencial da TI em um só lugar
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas
  • Negócios
  • Segurança
  • Opinião
  • Tecnologia
  • Entrevistas
  • RH
  • Produtos
  • Além da TI
Home Notícias Opinião

Ransomware acelera pela exposição das vítimas, não pela inteligência artificial

Eduardo Martins, Diretor de Serviços e Soluções da Solo Network, explica por que a exposição digital facilita ataques de ransomware.

IT Section Por IT Section
20/10/2026 - 15:37
A A
0
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

CompartilharPostar

A reunião de crise que se segue a um ataque de ransomware em uma empresa brasileira costuma começar com a pergunta errada. A diretoria quer saber qual tecnologia sofisticada o invasor utilizou, e a resposta, na maior parte dos incidentes, frustra a expectativa: uma credencial vazada em algum repositório público, um acesso remoto configurado às pressas na expansão do trabalho híbrido ou uma vulnerabilidade conhecida havia m
eses e nunca corrigida. Enquanto o mercado repete que a inteligência artificial estaria por trás da escalada dos ataques, a telemetria de incidentes aponta para causas menos tecnológicas e mais incômodas, porque dizem respeito ao que as próprias empresas deixaram exposto na internet.

Segundo o Data Breach Investigations Report, publicado pela Verizon em 2025 a partir da análise de 22.052 incidentes de segurança e 12.195 violações confirmadas de dados, o ransomware apareceu em 44% das violações registradas no período, um salto expressivo em relação à edição anterior.

Os vetores de entrada, porém, permaneceram os mesmos de sempre: credenciais roubadas responderam por 22% dos casos, exploração de vulnerabilidades por 20%, com crescimento de 34% sobre o ano anterior, e phishing por 15%. Nenhum desses caminhos depende de modelos generativos para funcionar, e todos eles existiam muito antes de a inteligência artificial dominar o noticiário de tecnologia.

O que de fato mudou foi a estrutura econômica do crime. Segundo o Crypto Crime Report, divulgado pela Chainalysis em 2026 com base no rastreamento de pagamentos em blockchain, os grupos de ransomware arrecadaram cerca de US$ 820 milhões no último ano analisado, recuo de 8% em relação ao período anterior, enquanto o volume de ataques reivindicados publicamente cresceu na casa de 50% e a parcela de vítimas que aceitou pagar caiu a 28%, a menor taxa já registrada pela empresa.

Mais ataques rendendo menos dinheiro descrevem um ecossistema que trabalha cada vez mais para ganhar o mesmo, e essa pressão econômica explica a mudança de comportamento dos grupos criminosos com muito mais precisão do que qualquer avanço tecnológico recente.

Barreira de entrada caiu antes de a inteligência artificial chegar ao crime

A fragmentação do ecossistema criminoso é anterior à onda atual de inteligência artificial e independe dela. O desmonte de grandes operações por ações policiais internacionais dispersou afiliados experientes por dezenas de grupos menores e por atacantes solitários, e o modelo de ransomware como serviço reduziu a barreira técnica de entrada a ponto de permitir que operadores sem conhecimento avançado conduzam campanhas completas com ferramentas alugadas.

O mesmo levantamento da Chainalysis identificou ainda um mercado paralelo de corretores de acesso inicial, que movimentou ao menos US$ 14 milhões vendendo portas de entrada prontas para redes corporativas, com picos de compra que antecedem em cerca de 30 dias os aumentos de vítimas publicadas em sites de vazamento. A cadeia produtiva do ransomware se especializou, e cada elo dela funciona sem depender de nenhuma capacidade nova de automação inteligente.

Essa reorganização deslocou o alvo preferencial. Grupos menores, com menos fôlego para sustentar negociações longas contra corporações preparadas, migraram para empresas de pequeno e médio porte, que pagam resgates menores, mas decidem mais rápido e resistem menos.

O recorte de pequenas e médias empresas do mesmo relatório da Verizon dá a dimensão do fenômeno: nesse segmento, o ransomware esteve presente em 88% das violações analisadas, proporção muito acima da observada entre grandes organizações, que concentram equipes dedicadas, segmentação de rede e capacidade de recuperação testada.

Visibilidade externa define quem vira alvo

A pergunta que interessa ao decisor deixou de ser qual tecnologia o atacante usou e passou a ser porque a empresa dele foi escolhida. A resposta, nos dados de incidentes, é quase sempre a mesma: visibilidade. As vítimas não são selecionadas por serem singularmente frágeis, e sim por estarem expostas e serem compatíveis com aquilo que o atacante já procurava em varreduras automatizadas, sejam credenciais à venda em mercados clandestinos, serviços de acesso remoto abertos à internet ou versões vulneráveis de equipamentos de borda.

O ataque direcionado, no sentido de uma organização estudada e perseguida por semanas, é a exceção estatística, ainda que domine o imaginário dos conselhos de administração.

A atribuição fácil à inteligência artificial tem um efeito colateral perverso, que é deslocar o orçamento para a ameaça errada. A empresa que compra proteção contra ataques hipotéticos conduzidos por algoritmos, enquanto mantém credenciais vazadas sem monitoramento, acessos remotos sem autenticação multifator e um parque de equipamentos de borda sem gestão de vulnerabilidades, está respondendo ao noticiário, e não ao próprio risco. A ameaça que efetivamente derruba operações no país continua entrando pela porta que ficou aberta.

Gestão contínua de exposição vale mais do que caçar a ameaça do momento

A consequência prática dessa leitura é uma inversão de prioridades no investimento em segurança. Em vez de perseguir a cada trimestre a tecnologia de defesa correspondente à ameaça da moda, a organização ganha mais reduzindo de forma contínua aquilo que oferece ao atacante: descoberta permanente da superfície externa, correção priorizada pelo que está exposto e não apenas pelo que é grave no papel, autenticação multifator em todo acesso remoto e monitoramento de credenciais corporativas em fontes abertas e clandestinas.

São controles menos vistosos do que qualquer solução com selo de inteligência artificial, mas incidem exatamente sobre os vetores que os dados de incidentes apontam ano após ano.

O critério que deveria orientar o próximo ciclo de orçamento, portanto, não é a novidade da ameaça, e sim a distância entre o que a empresa expõe hoje e o que ela consegue corrigir na velocidade em que essa exposição é descoberta pelos atacantes. Enquanto essa distância não diminuir, a discussão sobre o papel da inteligência artificial no cibercrime seguirá sendo, para a maior parte das organizações brasileiras, uma distração cara.

*Por Eduardo Martins, Diretor de Serviços e Soluções da Solo Network. 

Tags: Ataques de ransomwarecibersegurançaSolo Network
IT Section

IT Section

IT Section é um portal de notícias, artigos, produtos, entrevistas e vídeos sobre tudo o que acontece no mercado de tecnologia.

Veja tambémArtigos

Foto: Divulgação
Opinião

Gestão documental ganha espaço na adaptação à reforma tributária

Foto: Divulgação
Opinião

Altos e baixos: o modelo que ajuda a explicar a transição para a TI sob demanda

Foto: Divulgação
Opinião

Depois da corrida pela IA, um novo desafio: quais projetos merecem continuar recebendo investimentos?

Foto: Divulgação
Opinião

Quando a ferramenta de segurança vira o mapa do invasor

Próximo Artigo
Foto: Divulgação

Depois da corrida pela IA, um novo desafio: quais projetos merecem continuar recebendo investimentos?

Por favor, faça login para comentar

Categorias

  • Casos de sucesso
  • Entrevistas
  • Negócios
  • Notícias
  • Opinião
  • Produtos
  • RH
  • Segurança
  • Tecnologia
  • Arquivo
  • Erramos
  • Home
  • Política de Cookies
  • Política de Privacidade
  • Sobre

IT Section © 2023 -Todos Direitos Reservados - Powered by ZionLab

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas
  • Negócios
  • Segurança
  • Opinião
  • Tecnologia
  • Entrevistas
  • RH
  • Produtos
  • Além da TI
Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Para saber mais, visite nossa política de privacidade.