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A IA não é uma maré: ela é um tsunami do bem

Saulo Santos, Business Vice President no Brasil da GFT Technologies, analisa como a IA transforma negócios, trabalho e competitividade.

IT Section Por IT Section
16/07/2026 - 16:11
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Foto: Divulgação

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A metáfora do tsunami talvez seja a que melhor define o momento que vivemos com a Inteligência Artificial (IA). Não porque a tecnologia seja uma ameaça inevitável, mas porque sua velocidade, escala e capacidade de transformação desafiaram praticamente todas as previsões. Houve sinais. Especialistas, universidades e empresas de tecnologia alertaram durante anos que a IA avançaria rapidamente. Ainda assim, poucos imaginavam que, em tão pouco tempo, ela estaria presente simultaneamente nas áreas de negócios, educação, saúde, comunicação, desenvolvimento de software e atendimento ao cliente.

Como acontece antes de um tsunami, muitos perceberam que algo extraordinário estava em movimento, mas não conseguiram dimensionar sua força. Quando as primeiras aplicações generativas ganharam escala global, a onda já estava formada. Em questão de meses, organizações passaram a rever estratégias, redefinir funções, reavaliar investimentos e discutir novos modelos de governança. A transformação deixou de ser uma projeção de futuro para se tornar uma exigência do presente.

Os números ajudam a ilustrar essa magnitude. Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que 86% dos empregadores esperam que tecnologias relacionadas à IA e ao processamento de informações transformem seus negócios até 2030. O mesmo estudo estima que 59% da força de trabalho global precisará passar por processos de requalificação ou atualização de competências nos próximos anos. Trata-se de uma reconfiguração do mercado de trabalho em uma escala raramente observada na história recente.

Mas a principal característica de um tsunami não é apenas a força da onda. É o fato de que seus impactos reais só podem ser plenamente avaliados depois que as águas recuam. Com a IA acontece algo semelhante e ainda estamos imersos no fenômeno. Sabemos que processos estão sendo redesenhados, profissões estão mudando e modelos de negócio estão sendo reinventados. O que ainda não sabemos é a extensão definitiva dos ganhos, dos desafios e das transformações que permanecerão quando o entusiasmo inicial der lugar à maturidade tecnológica.

Nesse contexto, muitas organizações cometeram um erro comum: reagir à onda em vez de compreendê-la. Algumas adotaram soluções de IA sem estratégia clara. Outras preferiram negar sua relevância ou adiar decisões importantes. Em ambos os casos, o resultado costuma ser o mesmo: perda de competitividade. Em momentos de mudança estrutural, a diferença raramente está entre quem adota primeiro e quem adota depois. Está entre quem entende o movimento e quem apenas responde a ele.

A experiência mostra que aqueles que sofrem menos danos durante um tsunami são justamente os que conseguem interpretar os sinais, compreender a dinâmica do fenômeno e se posicionar adequadamente antes do impacto. No universo corporativo, isso significa investir em capacitação, fortalecer a governança de dados, estabelecer critérios claros para uso responsável da tecnologia e criar uma cultura organizacional capaz de absorver mudanças contínuas. Não se trata de lutar contra a correnteza nem de se deixar levar por ela. Trata-se de aprender a navegar em um novo ambiente.

Tal necessidade de posicionamento ágil e estratégico encontra eco direto nas projeções econômicas globais. De acordo com uma ampla pesquisa, a IA Generativa tem o potencial de adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões anualmente à economia global, distribuídos por diversos casos de uso corporativos. Esse montante financeiro monumental não representa apenas crescimento, porém sim a dimensão da riqueza e da produtividade que estão sendo redistribuídas por essa onda, redesenhando quem detém a competitividade nos mercados globais.

Além disso, essa leitura estratégica é ainda mais importante porque os efeitos da IA não se limitam à automação. O Fórum Econômico Mundial projeta que, até 2030, as transformações tecnológicas poderão criar 170 milhões de novos postos de trabalho e substituir outros 92 milhões, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de funções globalmente. Isso sugere que o desafio central não será a escassez de oportunidades, mas a velocidade com que empresas e profissionais conseguirão desenvolver as competências necessárias para aproveitá-las.

O tsunami da IA já chegou. No fim das contas, a destruição criativa que ele traz carrega consigo a semente da modernização inevitável. Quando a água finalmente assentar e o novo horizonte se consolidar, o mercado não pertencerá aos que assistiram inertes da praia, tampouco aos que tentaram conter o oceano com as mãos. O futuro pertencerá aos líderes que souberam ler a maré alta, protegeram suas estruturas essenciais e tiveram a audácia de usar a força da maior onda do século para mover o mundo adiante.

*Por Saulo Santos, Business Vice President no Brasil da GFT Technologies.

Tags: GFT TechnologiesInteligência ArtificialInteligência Artificial Generativa
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