O Instituto de Pesquisa da Capgemini divulgou o relatório “IA Física: Levando a colaboração humano-robô para o próximo nível”, que analisa o impacto da Inteligência Artificial aplicada à robótica e seu potencial de geração de valor para empresas.
O estudo revela que dois terços das organizações consideram a IA física uma alta prioridade para os próximos três a cinco anos. Atualmente, 79% das empresas já utilizam esse tipo de tecnologia, enquanto 27% afirmam ter implementado ou escalado soluções.
A IA física representa uma evolução da automação tradicional, permitindo que sistemas atuem de forma autônoma no mundo real, com aplicações em diferentes setores, como alta tecnologia, logística e agricultura.
Da experimentação à aplicação em escala
O relatório aponta que a IA física está em um ponto de inflexão, impulsionada por avanços em modelos de Inteligência Artificial, simulação e capacidade de processamento. Esses fatores permitem que robôs operem em ambientes complexos e aprendam em larga escala.
Além disso, um ciclo contínuo entre IA, robótica e dados tem acelerado o desenvolvimento dessas soluções. Tecnologias como edge computing, melhorias em baterias, redução de custos de hardware e conectividade avançada, incluindo 5G privado, também contribuem para esse avanço.
Novas aplicações e impacto operacional
Segundo o levantamento, 60% dos executivos acreditam que a IA física permitirá o uso da robótica em atividades antes consideradas inviáveis. Entre os principais casos de uso estão operações perigosas, micrologística, inspeção de campo e aplicações específicas em manufatura, saúde e seguros.
O estudo também indica que a tecnologia pode contribuir para aumentar a segurança no trabalho e reduzir esforços físicos, além de ampliar a flexibilidade na produção.
Reindustrialização e escassez de mão de obra
A pesquisa destaca que a IA física tem papel relevante nos processos de reindustrialização, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Cerca de 43% dos executivos apontam a tecnologia como um facilitador da produção em larga escala.
A escassez de mão de obra aparece como um dos principais fatores que impulsionam o investimento em IA física, superando até mesmo questões relacionadas a custos trabalhistas. Setores como agricultura, varejo, tecnologia, logística e automotivo estão entre os mais impactados.
Desafios para escalar a tecnologia
Apesar do avanço, a escalabilidade ainda é um desafio. Quase dois terços dos executivos esperam que a IA física alcance escala nos próximos cinco anos, mas apenas 4% afirmam já operar nesse nível.
Entre os principais obstáculos estão a maturidade tecnológica e a prontidão operacional. Robôs humanoides, por exemplo, ainda enfrentam limitações relacionadas à confiabilidade, custos e treinamento, além de incertezas sobre retorno do investimento.
A aceitação social também é apontada como um fator crítico, com mais de 60% dos executivos indicando resistência do público como barreira à adoção.
Evolução com responsabilidade
Para a Capgemini, o avanço da IA física depende de uma implementação responsável e segura, com foco em escala e confiança.
“A IA física marca uma mudança de sistemas que descrevem o mundo para sistemas que podem agir dentro dele. No entanto, a robótica tem um longo histórico de superestimar seu potencial, já que os avanços iniciais criaram expectativas que a tecnologia ainda não conseguia atender”, explica Pascal Brier, Diretor de Inovação da Capgemini e membro do Comitê Executivo do Grupo. “O que é diferente hoje não é o hype, mas sim a convergência de IA, dados e maturidade da engenharia. A oportunidade é real, desde que nos concentremos no que funciona em escala. Implantar a IA física de forma responsável, segura e progressiva será essencial para construir confiança, tendo a segurança desde a concepção, e a transparência e supervisão humana como pilares de uma colaboração sustentável entre humanos e robôs.”
Metodologia do estudo
O relatório foi baseado em uma pesquisa global realizada em janeiro e fevereiro de 2026 com 1.678 executivos de empresas com receita anual acima de US$ 1 bilhão, em 16 países da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, abrangendo 15 setores.





