A digitalização da área da saúde ampliou os desafios relacionados à proteção de dados, disponibilidade dos sistemas e continuidade operacional. Para a AFIP, instituição filantrópica e sem fins lucrativos com atuação pública e privada, esse cenário levou a uma transformação estrutural: a cibersegurança passou a ser tratada como parte da segurança do paciente, com apoio das soluções da Palo Alto Networks em um projeto implementado pela Add Value, consultoria especializada em tecnologias de nuvem, hiperconvergência e networking.
Com 50 anos de atuação, a AFIP é um dos maiores laboratórios de análises clínicas da rede ambulatorial do SUS. A instituição realiza cerca de 8 milhões de exames por mês, está presente em mais de 200 municípios, 16 estados e conta com 1.100 pontos de coleta.
A operação envolve desde exames de rotina até análises para transplantes, pesquisas científicas e clínicas, além de check-ups executivos. Diante desse cenário, a instituição decidiu modernizar sua arquitetura de segurança, substituindo uma solução legada pela plataforma da Palo Alto Networks.
“A decisão foi baseada em três frentes: elevar o nível de proteção, garantir continuidade operacional em ambientes 24×7 e atender exigências rigorosas de conformidade e auditoria. Na saúde, o dado impacta diretamente a decisão médica. Cibersegurança, para nós, é segurança do paciente”, afirma Milton Vicente Vieira Junior, diretor de TI da AFIP.
Plataforma amplia visibilidade sobre ambientes críticos
O projeto entrou em operação em março de 2024, com cerca de 100 firewalls distribuídos entre a matriz e as unidades da instituição. Em 2025, a iniciativa evoluiu com a adoção de 2.620 licenças de XDR (Extended Detection and Response), ampliando a capacidade de detecção e resposta a ameaças em endpoints.
Um dos principais avanços foi a visibilidade sobre ambientes que antes tinham pouco monitoramento, incluindo equipamentos médicos de alta complexidade. A integração entre TI e engenharia clínica permitiu uma análise mais ampla de riscos e vulnerabilidades.
“Hoje conseguimos enxergar todo o ecossistema, não apenas a TI. Isso muda nossa forma de atuar”, destaca o diretor.
Segurança reduz incidentes e custos operacionais
A modernização da arquitetura de segurança trouxe ganhos operacionais para a AFIP. Antes marcada por instabilidades, especialmente em ambientes públicos com infraestrutura mais limitada, a operação passou a apresentar maior estabilidade e previsibilidade.
A mudança reduziu significativamente incidentes e retrabalho, com impacto direto nos custos relacionados ao seguro cibernético, que caíram de aproximadamente R$ 500 mil para R$ 170 mil.
“A parceria com a Add Value foi um dos fatores críticos para o sucesso do projeto, com atuação consultiva, suporte próximo e apoio na construção de modelos aderentes a auditorias públicas. Hoje, a cibersegurança ocupa espaço no board e está integrada à governança clínica, com participação ativa do DPO (Data Protection Officer). Cerca de 70% dos exames já são assinados eletronicamente, reforçando o papel central da integridade digital”, revela Fábio Ruy Bernardo, gerente de infraestrutura e segurança da AFIP.
TI assume papel estratégico na evolução da saúde
Com maior estabilidade operacional, a área de TI deixou de atuar apenas de forma reativa e passou a contribuir de forma estratégica para a instituição, abrindo espaço para iniciativas como SOC (Security Operations Center) e SIEM (Security Information and Event Management).
Esse movimento acompanha a evolução da própria AFIP, que combina escala operacional com impacto social, retornando mais de R$ 16 para cada R$ 1 de benefício fiscal.
“Ao consolidar essa nova arquitetura, a AFIP avança para um modelo em que a segurança não apenas protege a operação, mas sustenta a evolução do próprio sistema de saúde. Em um ambiente onde o dado define decisões clínicas, garantir sua integridade é, cada vez mais, garantir o cuidado com o paciente”, avalia Thiago Spósito, sócio da Add Value.




