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O atalho da produtividade expôs uma nova camada de risco nas empresas

Dennis Brach, country manager da WatchGuard Brasil, analisa como Shadow AI, identidades e novas tecnologias ampliam os riscos à segurança.

IT Section Por IT Section
02/09/2026 - 15:36
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Foto: Divulgação

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A busca por produtividade acelerou a adoção de novas tecnologias dentro das empresas. Em poucos minutos, uma equipe pode encontrar uma ferramenta capaz de automatizar uma tarefa, analisar informações ou acelerar uma entrega. O problema surge quando essa agilidade acontece fora da visibilidade e dos controles de segurança.

A segurança corporativa foi construída em um cenário previsível, onde a tecnologia determinava quais aplicações seriam usadas, controlava os dispositivos conectados e estabelecia as rotas de tráfego das informações. A nuvem, o trabalho híbrido e as ferramentas de inteligência artificial transformaram essa dinâmica, colocando novas escolhas tecnológicas nas mãos dos usuários.

Um colaborador pode, em questão de minutos, contratar uma plataforma SaaS, adicionar uma extensão ao navegador ou usar um modelo público de inteligência artificial. Esse movimento impulsionou a inovação nas organizações, mas também criou ambientes alternativos que, muitas vezes, não possuem os mesmos controles aplicados aos sistemas oficiais.

A adoção dessas ferramentas raramente acontece com a intenção de contornar a segurança. Na maioria dos casos, ela surge da necessidade de resolver problemas reais, acelerar processos e atender demandas que crescem em um ritmo maior do que os fluxos tradicionais conseguem acompanhar.

A Shadow AI é uma das principais manifestações desse comportamento. As equipes estão utilizando ferramentas generativas para codificação, análise de documentos, elaboração de relatórios e automação de tarefas.

O desafio não está apenas em identificar quais aplicações foram adotadas, mas compreender quais informações estão sendo compartilhadas, quem pode acessá-las e quais mecanismos de proteção existem sobre esses dados.

Informações sensíveis, contratos, código-fonte e dados de clientes podem sair do ambiente monitorado sem a devida classificação, políticas de retenção ou rastreamento sobre o uso posterior.

O mesmo padrão aparece em outros comportamentos frequentes: reaproveitamento de senhas, armazenamento de documentos em serviços pessoais, compartilhamento de dados por meios alternativos e instalação de aplicações sem a avaliação prévia da equipe de segurança.

Essas ações geram lacunas de informação. A organização perde a capacidade de identificar onde os dados estão armazenados, quais ferramentas têm acesso a essas informações e quais usuários ampliaram seus privilégios além do necessário.

A identidade passou a concentrar o risco

A ascensão da nuvem alterou a lógica por trás dos ataques. O invasor deixou de buscar apenas brechas em sistemas e passou a procurar identidades válidas para se movimentar dentro dos ambientes corporativos de forma legítima.

Uma conta comprometida pode conceder acesso a aplicações, arquivos e recursos internos sem gerar os mesmos alertas de uma invasão convencional. Técnicas como credential stuffing aproveitam essa realidade ao testar combinações de nomes de usuário e senhas expostas em vazamentos anteriores.

Por isso, os controles de identidade se tornaram um elemento estratégico da proteção corporativa. Autenticação multifatorial, gerenciamento de privilégios, análise de comportamento e políticas de acesso adaptativas passaram a fazer parte da defesa contra comprometimentos.

A arquitetura Zero Trust aplica esse conceito ao eliminar permissões baseadas apenas na localização ou na rede. Cada solicitação deve considerar a identidade do usuário, o dispositivo, o contexto, o comportamento e a sensibilidade do recurso acessado.

Segurança precisa acompanhar a velocidade do negócio

O modelo tradicional de segurança foi desenvolvido para ambientes onde a TI possuía maior controle sobre aplicações, dispositivos e fluxos de informação. A descentralização tecnológica mudou essa dinâmica.

Quando um time não consegue realizar uma atividade utilizando os recursos disponíveis, ele busca alternativas. A segurança precisa considerar esse comportamento ao desenhar controles, criando caminhos protegidos que atendam às necessidades reais dos usuários.

A utilização de ferramentas homologadas, processos de aprovação mais ágeis e controles integrados ao fluxo de trabalho reduzem a necessidade de recorrer a soluções externas.

A avaliação de maturidade também precisa evoluir junto com essa transformação. Enquanto indicadores tradicionais, como correções de vulnerabilidades e bloqueios de ameaças, continuam essenciais, eles não representam toda a exposição atual.

As empresas precisam acompanhar fatores como uso de aplicações não autorizadas, cobertura de autenticação multifatorial (MFA), movimentação de dados sensíveis, excesso de privilégios e exposição causada pelo uso de inteligência artificial.

A atual superfície de ataque está distribuída entre sistemas, identidades e as decisões tomadas diariamente pelos usuários. Reduzir essa exposição exige uma estratégia de segurança capaz de acompanhar a forma como as empresas realmente trabalham, combinando visibilidade, controle e políticas alinhadas ao ritmo do negócio.

*Por Dennis Brach, country manager da WatchGuard Brasil.

Tags: Segurança CorporativaShadow AIwatchguard
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