A velocidade da transformação tecnológica faz com que contratar profissionais com competências específicas, embora necessário, não seja suficiente para sustentar a evolução dos negócios. Funções, ferramentas e processos continuam mudando. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, em média, 39% das habilidades atuais dos trabalhadores deverão se transformar ou se tornar obsoletas entre 2025 e 2030.
No mesmo período, 59 em cada 100 profissionais precisarão de algum tipo de aperfeiçoamento ou requalificação, enquanto 85% dos empregadores entrevistados afirmam que pretendem priorizar o desenvolvimento das competências de suas equipes. O desafio, portanto, não é apenas encontrar profissionais especializados, mas desenvolver continuamente quem já está dentro das organizações.
Essa necessidade aparece também na adoção da inteligência artificial (IA). No relatório ‘IA sob controle’, de agosto de 2026, da Ecosistemas Global, talento e adoção estão entre os fatores que podem dificultar a passagem dos projetos-piloto para a operação. Na prática, isso acontece quando as soluções são pouco utilizadas pelas equipes ou quando o conhecimento fica concentrado em poucos especialistas.
Para reduzir essa dependência, o relatório aponta três frentes: alfabetização em IA, para ampliar a compreensão sobre as possibilidades e os limites da tecnologia; formação, para desenvolver as competências necessárias ao uso no trabalho; e gestão da mudança, para incorporar novas ferramentas e processos à rotina das equipes.
Isso é importante porque uma empresa pode contratar excelentes especialistas em IA e, ainda assim, não conseguir transformar a tecnologia em capacidade operacional. Quando poucas pessoas dominam seu uso, a organização permanece dependente delas para aplicar, avaliar ou até questionar a tecnologia.
A capacitação precisa acompanhar o que efetivamente muda no trabalho. Em algumas funções, isso significa atualizar conhecimentos e incorporar novas ferramentas; em outras, exige uma requalificação profissional mais profunda. Para isso, é necessário identificar quais competências estão mudando, aproveitar o conhecimento de negócio dos profissionais e criar caminhos para que assumam novas responsabilidades.
O resultado da capacitação precisa aparecer no trabalho: na capacidade de aplicar novas ferramentas, avaliar suas respostas e reconhecer quando é necessário recorrer a um especialista. Horas de curso e certificados ajudam a acompanhar a formação, mas não demonstram, por si só, que a equipe está preparada para atuar com autonomia.
A tecnologia muda rápido demais para que as organizações dependam apenas de encontrar no mercado alguém que já domine cada nova ferramenta. Contratar continuará sendo necessário, mas desenvolver talentos precisa fazer parte da estratégia de transformação da empresa. Organizações que combinam contratação especializada, aprendizagem contínua e gestão da mudança estarão mais preparadas para incorporar novas tecnologias aos processos e avaliar seus resultados.
*Por Rodrigo Cabot, Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Alianças e Estratégia Tecnológica da Ecosistemas Global.





