Uma campanha de phishing identificou mais de 302 mil e-mails maliciosos únicos direcionados a mais de 40 mil organizações em todo o mundo. A ação utiliza convites falsos de reunião e links fraudulentos do Microsoft Teams para roubar nomes de usuário e senhas de contas da Microsoft, segundo pesquisadores da Check Point Software.
A investigação foi conduzida pela equipe Check Point Email, divisão especializada em segurança de e-mail da empresa. Os ataques exploram hábitos comuns no ambiente corporativo para enganar funcionários e obter credenciais sem precisar explorar vulnerabilidades de software.
Convites falsos exploram a rotina corporativa
A estratégia consiste no envio de convites de reunião com anexos no formato .ics, utilizado para arquivos de calendário, ou links fraudulentos disfarçados de chamadas do Microsoft Teams.
Como notificações de agenda fazem parte da rotina profissional e raramente despertam suspeitas, os criminosos aproveitam a confiança dos usuários para direcioná-los a páginas maliciosas e capturar suas credenciais de acesso.
A campanha ganhou força no final de setembro e acelerou em outubro. Nas duas primeiras semanas do mês, as ferramentas da Check Point detectaram mais de 740 mil e-mails relacionados à atividade maliciosa. O pico ocorreu em 8 de outubro, quando quase 200 mil mensagens foram enviadas em apenas 24 horas.
Ataques utilizam milhares de domínios
Para dificultar a identificação das mensagens maliciosas por filtros tradicionais de spam e segurança, os responsáveis pela campanha utilizaram uma infraestrutura distribuída. Os disparos partiram de mais de 33.800 domínios diferentes e mais de 247 mil endereços de e-mail únicos.
A abordagem também acompanha uma tendência de uso indevido de notificações automatizadas que parecem legítimas. Segundo a Check Point, os criminosos estão recorrendo a diferentes formatos para explorar a confiança dos usuários em comunicações comuns do ambiente de trabalho.
“Os convites de calendário fazem parte do dia a dia de qualquer profissional e raramente despertam suspeitas. Os cibercriminosos sabem disso e estão substituindo os e-mails tradicionais de phishing por notificações e arquivos de agenda que parecem inofensivos”, explica a Check Point. “Além disso, temos observado o uso de outros formatos automatizados confiáveis, como falsos alertas de correio de voz, demonstrando que os atacantes buscam constantemente novas brechas no comportamento humano.”
Check Point recomenda medidas de proteção
Diante do volume de mensagens e das técnicas utilizadas, a Check Point recomenda que as organizações reforcem os controles de segurança de e-mail e a proteção das contas corporativas.
Entre as medidas indicadas estão:
- Inspecionar anexos de calendário: utilizar soluções de segurança capazes de analisar o conteúdo e os links presentes em arquivos .ics antes que cheguem à caixa de entrada.
- Verificar links de reuniões: orientar os colaboradores a passar o ponteiro do mouse sobre os links antes de clicar e conferir se o endereço de destino corresponde ao domínio oficial do serviço, como teams.microsoft.com.
- Adotar proteção baseada em inteligência artificial: utilizar ferramentas que identifiquem anomalias nos remetentes, falsificação de marcas e comportamentos suspeitos em mensagens automatizadas.
- Implementar autenticação multifator (MFA): habilitar o recurso em todas as contas corporativas da Microsoft para adicionar uma camada de proteção caso as credenciais sejam comprometidas.
A campanha reforça a importância de combinar tecnologias de segurança com medidas preventivas e conscientização dos funcionários. A verificação de convites, anexos e links, aliada à autenticação multifator, ajuda a reduzir os riscos associados ao roubo de credenciais em ambientes corporativos.





