O golpe do falso executivo ganhou novas estratégias com o uso de inteligência artificial (IA) e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. A Redbelt Security, consultoria brasileira especializada em cibersegurança, identificou tentativas ativas da fraude, na qual criminosos se passam por diretores e outras lideranças para solicitar pagamentos a funcionários de empresas.
Os principais alvos são profissionais das áreas financeira, de compras, de contas a pagar e de assistência executiva, que participam diretamente dos processos de transferência de recursos. A abordagem explora a confiança na identidade de gestores e a pressão para executar operações com rapidez.
Como funciona o golpe do falso executivo
A fraude geralmente começa com uma mensagem enviada de um número desconhecido, muitas vezes com o mesmo DDD da região da vítima. Os criminosos utilizam o nome e a foto autêntica do executivo para tornar a abordagem mais convincente.
A conversa pode começar com uma mensagem simples, como “Bom dia, está ocupado?”, e evoluir rapidamente para uma solicitação de pagamento urgente, fora da programação habitual da empresa. Os dados da conta beneficiária são enviados posteriormente.
A estratégia também envolve pressão psicológica. Os criminosos podem alegar que estão em uma reunião, que não podem atender ligações ou que a operação precisa ser mantida em sigilo. O objetivo é impedir que o funcionário confirme a autenticidade do pedido por outro canal antes de realizar a transferência.
Segundo a Redbelt Security, os valores transferidos podem ser distribuídos entre contas de laranjas em poucos minutos, o que dificulta a recuperação do dinheiro.
Operações policiais realizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Norte identificaram grupos envolvidos nesse tipo de fraude. Em um dos casos, uma indústria sofreu prejuízo de quase R$ 200 mil.
Inteligência artificial amplia os riscos da fraude
O uso de inteligência artificial tornou o golpe do falso executivo mais sofisticado. Entre as técnicas identificadas estão recursos de deepfake, capazes de reproduzir características da voz e da imagem de uma pessoa, além do sequestro de contas legítimas de executivos.
Essas práticas dificultam a identificação da fraude, já que os criminosos podem utilizar elementos reais da identidade dos gestores para convencer os funcionários de que a solicitação é legítima.
Além do uso de IA, mudanças no fluxo habitual de pagamentos representam sinais de alerta. Solicitações urgentes, exigências de sigilo, alterações nos dados do beneficiário e pedidos fora dos procedimentos internos devem ser tratados com cautela.
A tentativa de impedir uma ligação de confirmação também merece atenção, principalmente quando o pagamento é solicitado por um canal diferente do habitual.
Como prevenir golpes pelo WhatsApp nas empresas
A prevenção depende de procedimentos internos claros e da orientação dos funcionários. Uma das principais recomendações é estabelecer que nenhum pagamento seja autorizado exclusivamente por mensagens ou ligações, independentemente do cargo de quem faz a solicitação.
Pedidos fora do padrão devem ser confirmados diretamente com o executivo por meio de um número previamente cadastrado ou presencialmente. A confirmação não deve ser feita pelo mesmo contato utilizado na abordagem suspeita.
Outra medida recomendada é ativar a verificação em duas etapas do WhatsApp nas contas dos executivos. As empresas também devem capacitar os profissionais responsáveis por pagamentos para reconhecer sinais de engenharia social e tentativas de fraude.
Os treinamentos precisam incluir funcionários recém-contratados e assistentes executivos, que também podem ser alvos dos criminosos.
O que fazer após cair no golpe
Se a transferência já tiver sido realizada, a orientação é entrar em contato com o banco imediatamente. Em transações via Pix, a vítima pode solicitar a contestação por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
A rapidez é importante porque os criminosos podem movimentar os valores entre diferentes contas em poucos minutos, dificultando o bloqueio e a recuperação dos recursos.
Também é necessário preservar as evidências da fraude, incluindo capturas de tela da conversa, o número utilizado, os dados da conta beneficiária e outras informações relacionadas à abordagem. O registro de um boletim de ocorrência é outra medida recomendada.





