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NETSCOUT aponta 487 mil ataques DDoS no Brasil em 2026

Levantamento aponta alta de 3,56% nos ataques no Brasil, com telecomunicações entre os setores mais visados e ofensivas acima de 1 Tbps no mundo.

IT Section Por IT Section
20/10/2026 - 15:19
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Foto: Canva

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O Brasil registrou 487.415 ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) entre janeiro e junho de 2026, um aumento de 3,56% em relação ao segundo semestre de 2025, quando foram contabilizados 470.677 incidentes. Os dados são do relatório de inteligência sobre ameaças DDoS da NETSCOUT, que identificou mais de 9,1 milhões de ataques em 209 países e territórios no período.

O levantamento aponta mudanças nas estratégias utilizadas pelos invasores, incluindo ataques de alta capacidade, uso de proxies residenciais e ofensivas de curta duração. Segundo a empresa, esse cenário exige que organizações e operadoras aprimorem seus mecanismos de detecção e mitigação para preservar a disponibilidade dos serviços digitais.

No Brasil, a duração média dos ataques foi de 59,31 minutos no primeiro semestre. Os números reforçam a presença do país no cenário regional de ameaças cibernéticas, com incidentes que atingem desde operadoras de telecomunicações até empresas de infraestrutura digital e outros segmentos da economia.

Ataques DDoS de alta capacidade ganham relevância

Em escala global, a NETSCOUT identificou um aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassaram 1 terabit por segundo (Tbps) ou 1 bilhão de pacotes por segundo (Gpps), em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“O aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps significa que incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, declarou Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia, Soluções DDoS e Equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da NETSCOUT. “Com a proliferação de proxies residenciais e ataques de curta duração baseados em taxa de tráfego provenientes de plataformas DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) sob demanda, os controles de rede genéricos e tradicionais tornaram-se insuficientes. Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”.

Os ataques DDoS têm como objetivo sobrecarregar redes, servidores ou aplicações com tráfego excessivo, comprometendo a disponibilidade dos serviços. As ofensivas podem afetar operações corporativas mesmo quando não provocam a saturação completa de um link de comunicação.

O relatório também identificou o primeiro ataque IPv6 acima de 1 Tbps observado pela NETSCOUT. Embora a participação do IPv6 no total de ataques tenha permanecido estável, a mitigação ativa dessas ameaças cresceu mais de 300% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Telecomunicações lideram os alvos no Brasil

As empresas de telecomunicações sem fio, exceto as que operam por satélite, foram o segmento mais atingido no país, com 141.400 ataques registrados. Em seguida, aparecem os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web, com 50.499 incidentes, e as operadoras de telecomunicações com fio, com 27.967 ataques.

O ranking dos dez setores mais atingidos também inclui bancos, restaurantes, empresas de logística, varejistas e transportadoras.

Os dados divulgados pela NETSCOUT para o Brasil são os seguintes:

  1. Telecomunicações sem fio, exceto satélite: 141.400 ataques.
  2.  Provedores de infraestrutura de computação e hospedagem na web: 50.499 ataques.
  3.  Telecomunicações com fio: 27.967 ataques.
  4.  Outras empresas de telecomunicações: 5.656 ataques.
  5.  Bancos comerciais: 4.235 ataques.
  6.  Restaurantes de serviço completo: 3.206 ataques.
  7.  Serviços de consultoria em distribuição física e logística: 2.581 ataques.
  8.  Varejistas de brinquedos e passatempos: 2.289 ataques.
  9.  Comércio atacadista de equipamentos para escritório: 2.116 ataques.
  10.  Transporte rodoviário local de cargas: 1.863 ataques.

A concentração de incidentes no setor de telecomunicações evidencia a exposição de infraestruturas responsáveis pela conectividade e pelo funcionamento de serviços digitais. Provedores de hospedagem e computação também aparecem entre os principais alvos, devido ao papel que desempenham na sustentação de aplicações e sistemas corporativos.

TCP ACK e DNS Amplification estão entre os vetores mais usados

A análise da NETSCOUT identificou os principais vetores empregados nos ataques registrados no Brasil. O TCP ACK liderou a lista, com 138.626 ocorrências, seguido por DNS Amplification, com 61.575, e TCP SYN, com 37.481.

Também aparecem entre os métodos mais frequentes o DNS, com 20.736 ocorrências, e o TCP SYN/ACK Amplification, com 18.044.

Essas técnicas exploram diferentes características dos protocolos de comunicação. Algumas procuram sobrecarregar a capacidade de processamento dos sistemas, enquanto outras ampliam o volume de tráfego direcionado às vítimas.

Segundo o levantamento, os ataques podem combinar diferentes métodos em uma mesma ofensiva. Ao todo, foram identificados 24 vetores combinados nos ataques analisados, incluindo TCP ACK, TCP RST, TCP SYN, DNS Amplification e UDP.

Proxies residenciais dificultam a identificação dos ataques

Entre as tendências destacadas no relatório está o uso de redes de proxies residenciais por agentes maliciosos. Esses serviços permitem que o tráfego passe por endereços IP associados a conexões domésticas, o que pode dificultar a distinção entre atividades legítimas e comunicações maliciosas.

A NETSCOUT também identificou o crescimento dos ataques de curta duração, incluindo aqueles que duram um minuto ou menos. Segundo a empresa, a participação desse tipo de ofensiva quase dobrou desde o segundo semestre de 2023.

A disseminação de plataformas de DDoS por aluguel, conhecidas como DDoS-for-hire, também reduz as barreiras técnicas para a execução de ataques. Esses serviços permitem contratar ofensivas sob demanda, sem que os responsáveis precisem desenvolver toda a infraestrutura necessária.

Outro fenômeno apontado é o aumento dos ataques de caminho direto, conhecidos como direct-path, que representaram 64% dos incidentes observados globalmente. O relatório também registra crescimento da participação dos ataques de carpet-bombing, que passou de 3,97% para 4,54%.

Essas modalidades ampliam os desafios para equipes de segurança, especialmente quando as ofensivas mudam rapidamente de intensidade ou exploram diferentes pontos da infraestrutura.

Mitigação exige proteção em redes locais e na nuvem

Diante desse cenário, a NETSCOUT destaca a necessidade de combinar mecanismos de proteção locais e serviços de mitigação em nuvem. A estratégia permite distribuir a capacidade de resposta conforme a origem, o volume e as características do tráfego malicioso.

A empresa afirma que protege dois terços do espaço IPv4 roteado e monitora dezenas de milhares de ataques DDoS diariamente. Sua plataforma NETSCOUT ARBOR Cloud utiliza a visibilidade da rede ATLAS e recursos dedicados de mitigação para complementar as defesas instaladas nas próprias organizações.

O monitoramento também considera ataques de saída, conhecidos como outbound, além das ofensivas direcionadas aos serviços, chamadas de inbound. Essa abordagem busca identificar atividades maliciosas que possam afetar tanto a infraestrutura protegida quanto outras redes.

Para as organizações, a preparação contra ataques DDoS envolve avaliar a capacidade de resposta da infraestrutura, proteger serviços expostos à internet e estabelecer mecanismos para filtrar o tráfego malicioso sem comprometer as conexões legítimas.

O relatório completo está disponível no portal de inteligência sobre ameaças DDoS da NETSCOUT. Os dados específicos sobre o Brasil podem ser consultados na página do país.

Tags: ataques DDoS no BrasilcibersegurançaNETSCOUT
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