A SonicWall identificou milhões de eventos de ataques cibernéticos direcionados ao setor financeiro no primeiro semestre de 2026. Segundo o relatório Financial Services Protect Brief, as instituições financeiras registram a maior intensidade de tentativas de ataque por dispositivo entre os setores monitorados pela empresa, com mais do dobro da média geral.
O levantamento destaca a exploração de vulnerabilidades antigas, a persistência de campanhas de ransomware e a exposição de sistemas legados como fatores que contribuem para os riscos enfrentados por bancos e outras organizações financeiras.
Embora a inteligência artificial (IA) esteja tornando algumas ofensivas mais rápidas e difíceis de identificar, a SonicWall aponta que os invasores continuam explorando vulnerabilidades conhecidas e concentrando esforços em ambientes com maior potencial de retorno financeiro.
Sistemas legados continuam entre os principais alvos
De acordo com Michael Crean, vice-presidente sênior de Serviços Gerenciados da SonicWall, o setor financeiro reúne características que o tornam atrativo para grupos especializados em ataques cibernéticos, como o valor dos dados armazenados, as exigências regulatórias e a baixa tolerância à indisponibilidade dos serviços.
“O setor de serviços financeiros não é o mais visado porque os invasores agem indiscriminadamente”, disse Michael Crean, vice-presidente sênior de Serviços Gerenciados da SonicWall. “É um dos setores mais fortemente visados porque os incentivos são óbvios. As instituições financeiras detêm alguns dos dados mais valiosos do mundo, operam sob intenso escrutínio regulatório e praticamente não têm tolerância para tempo de inatividade. Muitas também dependem de infraestrutura legada que não acompanhou o ritmo do cenário atual de ameaças. Essa combinação não apenas aumenta o risco, como também atrai adversários altamente organizados que estudam deliberadamente esses ambientes e exploram as vulnerabilidades que já sabem que existem.”
O relatório utiliza dados da rede global da SonicWall, composta por mais de um milhão de sensores de segurança, para analisar padrões de ataque, vulnerabilidades antigas e campanhas de ransomware registradas no primeiro semestre de 2026.
Vulnerabilidades antigas seguem gerando milhões de detecções
Entre os principais resultados do estudo está o volume de eventos associados a falhas conhecidas há anos. A vulnerabilidade de estouro de buffer do servidor Telnet da GoodTech gerou 42,2 milhões de eventos de detecção, segundo a SonicWall, indicando a presença de serviços expostos à exploração em ambientes bancários e de pagamento.
O Log4Shell, vulnerabilidade divulgada em 2021 na biblioteca Log4j, também permanece entre as ameaças identificadas. O relatório contabilizou 35,6 milhões de eventos de detecção relacionados à falha, mais de dois anos após sua divulgação inicial.
O levantamento também identificou tentativas de exploração do Heartbleed, vulnerabilidade divulgada em 2014. Os dados indicam que falhas antigas continuam sendo monitoradas e exploradas, reforçando a importância da atualização de sistemas e da gestão contínua de vulnerabilidades.
Ransomware e malware mantêm pressão sobre o setor
A SonicWall identificou dez famílias de ransomware ativas contra organizações financeiras, incluindo REvil, também conhecido como Sodinokibi, e Prometheus, associadas a ataques contra empresas do setor.
A atividade de malware atingiu uma média de 39.341 ocorrências por firewall, colocando os serviços financeiros na segunda posição entre os setores monitorados pela empresa em intensidade de malware por dispositivo, atrás apenas da área de saúde.
O relatório também registrou 132.378 detecções de sistemas de prevenção contra intrusões (IPS) por dispositivo no setor financeiro durante o primeiro semestre de 2026, o maior índice entre as verticais analisadas pela SonicWall.
Os números mostram a diversidade das ameaças enfrentadas pelas instituições, que precisam proteger dados, aplicações e serviços essenciais enquanto mantêm a continuidade operacional.
Modelo Zero Trust é apontado como alternativa de proteção
Como resposta aos riscos associados a sistemas legados e modelos tradicionais de acesso, a SonicWall destaca o uso de arquiteturas de segurança baseadas no conceito Zero Trust.
A abordagem prevê a verificação de identidade e das condições de segurança dos dispositivos, além da concessão de acesso restrito a aplicações específicas, em vez de permitir acesso amplo à rede corporativa.
A solução Cloud Secure Edge, da SonicWall, utiliza esse modelo para controlar o acesso aos aplicativos. Segundo a empresa, a estratégia pode limitar o alcance de credenciais comprometidas em campanhas de phishing ou ataques de preenchimento de credenciais, reduzindo a possibilidade de movimentação lateral entre sistemas.
Para instituições financeiras, o modelo pode ser aplicado ao acesso de fornecedores, parceiros comerciais e funcionários remotos, especialmente em ambientes que precisam atender a exigências regulatórias.
A proposta é substituir gradualmente o acesso amplo baseado em redes privadas virtuais (VPNs) por controles mais específicos, com verificação contínua de identidade e postura dos dispositivos.





